Tarefa 6 – Curso EDH – Janete Aparecida Maciel da Silva

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

Janete Aparecida Maciel da Silva

Função

Professora de Educacao Infantil

DRE / Unidade Educacional

Capela do Socorro

Escola

CEI JARDIM SILVEIRA

O TEMA PROPOSTO: Diversidade étnico racial

JUSTIFICATIVA:
No ano de 2018, no último mês de aula, na turma do Mini-Grupo II, houve um episódio que desestruturou o CEI em que trabalho. O fato ocorreu com os dois alunos: um menino e uma menina que estudavam com o mesmo grupo desde 2014, desde o berçário.

Os professores da turma começaram a perceber que todas as vezes que a menina sentava perto ele mudava a expressão facial, levantava-se e mudava de lugar. Com o passar dos dias, a atitude foi se intensificando e ele passou a chorar irritado e a gritar todas as vezes que ela encostava nele, até o ponto de verbalizar que não a queria por perto porque ela era feia, fedia e ele tinha vontade de vomitar por causa da cor dela. A menina negra e ele branco… ela não fedia… menina muito vaidosa e que adorava vestir-se com roupas bem coloridas e colocar adereços no cabelo… filha de uma mãe que a ensinava a ter orgulho da cor… A menina chorou muito e ele também.

O que estava acontecendo? Entre os brinquedos disponíveis na escola haviam bonecas negras; nas rodas de história eram lidos Menina bonita do laço de fita, Tanto tanto, Cabelo de Lelê e Contos de fadas negros e brasileiros, da editora Mazza; já foram feitas oficinas de turbantes e de bonecas Abayomi com as famílias. Já não trabalhávamos a diversidade étnico racial com os pequenos? Como aquilo poderia ter ocorrido?

O que foi feito? Na época, a mãe do menino foi chamada para uma reunião com os professores e a coordenadora. Ela ficou chocada quando soube do ocorrido: na casa dela não havia esse tipo de comportamento, o qual ele pudesse ter usado como referência, ele já convivia com outras crianças negras da escola e nos outros locais, um dos professores era negro, mas a repulsa era apenas com aquela colega de sala. Logo veio o termino das aulas e eles foram para outra escola. A mãe da menina não foi chamada para saber do ocorrido…como será que a pequena guardará essa vivência em seu coração e o quanto isso pode impactar em sua autoestima?

Este ano participei de outros cursos de formação que abordavam a temáticas da diversidade étnico racial e após inúmeras reflexões, percebi que nossos passos foram pequenos e que há ainda muito o que trabalhar para evitarmos que situações como esta ocorra novamente. Também senti que ainda falta muito material literário para ser trabalhado com as crianças menores na faixa etária de 0 a 3 anos e 11 meses; alguns materiais são excelentes, mas muito extensos e necessitam de adaptações para apresentá-los a esse público.

Durante todo o curso EDH – Desafios do contexto atual, me senti incomodada (no bom sentido) por perceber que há muito o que se fazer, que há a necessidade de pesquisar, ampliar os contatos em busca e troca de materiais adequados para cada faixa etária e principalmente trazer as famílias para participar das temáticas. Provavelmente, não será uma missão fácil…. afinal chama-se desafio, mas não será impossível.

A QUEM O TRABALHO SE DESTINA: estudantes do Mini-Grupo II, com faixas etárias entre 3 anos e 3 anos e 11 meses.

FINALIDADE – Ampliar o repertorio de leitura, brincadeiras e músicas que façam parte ou retrate os negros e a cultura africana.

QUAL A SUA INTENÇÃO, O QUE VOCÊ DESEJA PROMOVER COM ESTE SEU TRABALHO EDUCATIVO: estimular reflexões que estimulem pensar o quanto podemos magoar o outro quando não o respeitamos e que nem todos conseguem apagar as marcas profundas e dolorosas da memória.

OBJETIVOS/RESULTADOS ESPERADOS: todo esse processo será uma construção constante, mas espero que ao final da sequência já possamos presenciar palavras e atitudes positivas em relação as diferenças e que outras diversidades possam ser trabalhadas com um novo olhar e não apenas por formalidades curriculares.

DURAÇÃO:  um trimestre

AS ATIVIDADES QUE COMPORÃO A SEQUÊNCIA:

LEITURA (lembrando que na educação infantil fazemos a contação de história mais de uma vez, utilizando o livro ou recontos por meio de diversos recursos: fantoches, teatro, narrativa coletiva entre outros e os livros devem ficar a disposição para que as crianças possam manusear e realizar a leitura mesmo sem a participação do adulto)

*Tanto tanto
* Bucala: A pequena princesa do quilombo do cabula
*Meu Crespo é de Rainha
* Heroinas Negras
* As tranças de Bintou
*Os nove pentes d’África
* O menino Nito
*Betina
*Minha mãe é negra sim!
* A Neta de Anita
*Amoras
* Maju não vai à festa
*Que cor é a minha cor?
* Um colo para Aiazinha
*A Cor de Coraline
*Flávia e o Bolo de Chocolate”
* O Amigo do Rei”
*Bruna e a Galinha da Angola
*O Menino Nito
* Pretinha De Neve e os Sete Gigantes
*Meninas Negras
* O Pente Penteia
*Menina bonita do laço de fita
* O cabelo de Lelê
* Contos de fadas negros e brasileiros
* Anansi: o velho sábio
* Sulwe

MÚSICAS/BRINCADEIRAS CANTADAS E/OU C RITMOS E REGRAS (assim como a leitura, repetimos as canções e brincadeiras  pm maior frequência):

*Si mama Kaa (é uma brincadeira musical, cuja letra indica os movimentos que os participantes devem realizar. Esta música é cantada na língua Suali, que é a língua oficial da Tanzânia. A letra é: Si Mama Kaa/ Si Mama Kaa. Ruka, ruka, ruka/ Si Mama Kaa)

* Sonorizar Histórias (Como fazem os griots da África): vamos pegar uma história bem conhecida e para cada trecho/personagem escolher sons para incrementar a história, ou ainda inventar músicas com letras no meio das histórias ou fazer trilhas sonoras usando CDs e o que a imaginação permitir.

* Apresentar alguns instrumentos musicais de origem africana  e explorar seus sons: (BERIMBAU, CAXIXI, CUÍCA E AGOGÔ)

* Construir um berimbau: um cabo de vassoura cortado pela metade, , duas latas: uma de refrigerante e uma de leite em pó, um pedaço de arame (ou uma corda grossa de violão), dois preguinhos, um pedaço de barbante, uma moeda de um real, uma vareta de bambu, ou um lápis (para servir de baqueta). Para montar o instrumento será preciso serrar o cabo de vassoura na metade, pregar dois preguinhos nas extremidades do cabo de vassoura, prender (amarrar) o arame nos preguinhos (não precisa deixá-lo tão esticado), em seguida colocar a lata de refrigerante entre o arame e o cabo de vassoura e empurra bem até uma das extremidades, deixando então o arame (ou a corda) bem esticada; depois fazer dois furos na outra lata (de leite em pó), passando um barbante entre os furos, em seguida, amarrar a lata no cabo de vassoura, dando um nó bem firme em cima do arame. Instrumento pronto é só pegar a moeda e a vareta e explorar os sons do instrumento.

* Organizar uma playlist com musicas infantis da cultura africana para apreciação, cantar e dançar

* TERRA – MAR: Adaptação de uma brincadeira popular de Moçambique (contextualizar que faz parte da cultura africana). É uma brincadeira simples, mas muito atrativa para as crianças de todas as idades. Uma longa reta é riscada no chão. Um lado é a “Terra” e o outro “Mar”. No início todas as crianças podem ficar no lado da terra. Ao ouvirem: mar! Todos pulam para o lado do mar. Ao ouvirem: terra! Pulam para o lado da terra. Quem pular para o lado errado ou fazer menção de pular quando não deve pular sai. O último a permanecer no jogo vence.

*NEÉZ DEGUÍAAN: Adaptação de uma brincadeira de Marrocos. Similar à brincadeira terra-mar e a morto/vivo. Desenha-se no chão um grande círculo, ao redor do qual ficam os jogadores. Quando o professor gritar: Dentro! Os jogadores devem pular para dentro do círculo. Quando gritar: Fora! Todos devem pular pra fora do círculo. Se já estiverem na parte correta do círculo, devem dar um pulo no próprio lugar. Quem errar é eliminado e se afasta do círculo. O último a permanecer no jogo vence.

 

AVALIAÇÃO – Como na Educação Infantil, a avaliação é realizada por meio de registros reflexivos e diários de bordo, farei registros escritos narrando como foi a realização de cada atividade, as dificuldades e facilidades que as crianças tiveram ao realizá-las, falas e observações que as crianças fizeram; registrarei por meio de fotos e vídeos para que as crianças possam apreciar posteriormente e também para que seja exposto para as outras crianças da escola e a comunidade escolar.