Tarefa 6 – Curso EDH – Isabela Bezerra Liberal

Data

30 de julho de 2020

Cursista

Isabela Bezerra Liberal

Função

DRE / Unidade Educacional

Butantã

Escola

Des. Arthur Whitaker

Tema: Diversidade de gênero

Justificativa: O tema proposto é um pouco difícil para mim, pois não tenho muita experiência e há um certo tabu em discuti-lo na escola. Procurei elaborar uma sequência didática mais simples, que eu me sinta segura para conduzir, mas que discuta o assunto e faça as pessoas envolvidas refletirem.

A quem o trabalho se destina: 6º ano

Finalidade: Promover a discussão do tema e a reflexão de como ele afeta nossas vidas

Objetivos/resultados esperados: Refletir sobre a construção do comportamento social ligado ao gênero; entender como a discriminação entre gêneros pode causar desigualdade social.

Duração: 5 aulas

Avaliação: A avaliação será realizada individualmente pela professora, conforme o envolvimento de cada estudante nas atividades, e coletivamente, em cada grupo, mediante a redação de uma conclusão sobre as discussões e entrevistas.

 

Na escola onde eu trabalho esse tema não costuma ser discutido. Na disciplina de ciências (a qual leciono), há um tópico abordando o assunto, porém, como é algo novo para mim, não me sinto muito segura para trabalhá-lo. Durante as aulas, quando ocorre algum fato que necessite intervenção, eu costumo fazer uma fala e tento tratar do assunto de forma abrangente. Sei que não é o ideal, e gostaria de tratar do assunto de modo mais natural (normalmente receio constranger ainda mais a pessoa ofendida) e ser mais direta, trazendo os alunos para a discussão.

Nesta sequência didática, inicialmente há uma atividade para levantamento de conhecimentos prévios e para iniciar a discussão sobre as diferenças de gêneros. Partindo desse ponto, há a leitura de uma reportagem e posterior discussão, em grupos, sobre algumas questões que envolvem essas diferenças. Para finalizar, há a construção coletiva de um mural para exposição.

 

Aula 1

Para introduzir o tema, será feita a seguinte atividade (atividade 1 – anexos):

Cada estudante receberá uma folha com figuras de brinquedos, que deverão ser recortadas. Depois, essas figuras devem ser coladas num quadro, onde há os desenhos de uma menina e de um menino. O(a) estudante escolherá quem acha mais apropriado receber cada um desses brinquedos: o menino ou a menina e colará as figuras abaixo do(a) respectivo(a) presenteado(a).

Após a realização da atividade, a professora conversará com o(a)s estudantes fazendo alguns questionamentos, como:

  • Por que alguns brinquedos são mais apropriados para meninas e outros para meninos?
  • Tanto os meninos quanto as meninas não podem brincar com todos esses brinquedos?
  • O que difere um menino de uma menina?
  • Você acha que em todas as sociedades existe essa mesma distinção entre meninos e meninas?

 

Aula 2

O(a)s aluno(a)s se reunirão em grupos para lerem a reportagem: “A igualdade de gênero pressupõe uma sociedade justa para meninos e meninas”.

“A igualdade de gênero pressupõe uma sociedade justa para meninos e meninas”

POR ANA LUIZA BASÍLIO

Ainda muito pequenos já começamos a lidar com as expectativas que a sociedade deposita sobre cada um. Já na infância, entraremos em contato com uma lista de predileções, afazeres e tarefas específica construídos socialmente como “coisa de meninos” ou “de meninas”. Eles gostam de azul, de futebol e não choram. Elas gostam de rosa, de bonecas e são comportadas.

Essas diferenciações, entretanto, não são naturais, mas socialmente e historicamente construídas, a partir de padrões normativos do que é ser homem e o que é ser mulher.

“A nossa sociedade diferenciou mulheres e homens em uma prática social e, em seguida, atribuiu maior valor às características masculinas. E quando você tem dentro de uma diferença uma atribuição de maior e menor valor, gera-se a desigualdade”, coloca Viviana Santiago, gerente técnica de gênero da Plan International Brasil.

Em entrevista cedida ao Centro de Referências em Educação Integral, a especialista fala sobre a importância dos estudos de gênero para nos ajudar a entender que essa desigualdade – que se manifesta na violência contra a mulher, nas diferenças salariais e posições de liderança – não podem ser naturalizadas, mas o contrário: desconstruídas. (…)”

O conceito

“O conceito de gênero é muito importante para a construção do que a gente entende ser justiça social, porque ele trata do caráter fundamentalmente social das diferenças que são atribuídas às mulheres e aos homens. De uma maneira geral, as pessoas têm uma tendência a imaginar que as diferenças entre mulheres e homens, ou sobre o que é ser mulher e o que é ser homem, são naturais. As pessoas imaginam que é possível depositar uma série de expectativas em relação a esse comportamento ou às atitudes desses indivíduos, baseados no sexo biologicamente definido, sendo comum falas como “ah, mas isso é porque ela é mulher” ou “isso é porque ele é homem”.

A nossa sociedade diferenciou mulheres e homens em uma prática social e, em seguida, atribuiu maior valor às características masculinas. E quando você tem dentro de uma diferença uma atribuição de maior e menor valor, gera-se a desigualdade.  O conceito de gênero vem para nos ajudar a entender que essa desigualdade, ou seja, os homens estarem em posições superiores na sociedade, terem melhores salários, posições de liderança, tudo isso que a gente considera natural por ser homem, é social, é construído. Para que a gente equilibre essa balança isso precisa ser desconstruído, porque se foi aprendido dessa forma pode ser aprendido de outra que possibilite às mulheres desenvolverem seu pleno potencial e acessarem às oportunidades da mesma maneira que os homens. (…)”

Gênero, meninas e meninos 

“(…) Nem nascemos e já se tem um modelo de que corresponderá ao ser homem ou mulher. O problema é que ele se baseia em estereótipo. Já na primeira infância vamos dando essas regras para as crianças, punindo ou presenteando quão bem ou mal elas aderem aos modelos estereotipados que impedem que elas se desenvolvam plenamente.

Na vida das meninas isso é absurdamente danoso porque a sociedade patriarcal não só vai dar menos oportunidade a elas, como menos valor a tudo que elas produzem. E isso passa pelo controle do corpo e da sexualidade, com repercussão na vida adulta.”

Gênero, meninos e meninas

“O conceito de gênero é relacional, ou seja, não podemos estudá-lo considerando apenas as mulheres, posto que ele nasce para explicar as relações sociais entre homens e mulheres. Em relação à masculinidade, o gênero vai apontar que também não é natural ser homem apenas dentro de características hegemônicas.

Desde muito cedo vamos educando os meninos a terem determinados tipos de comportamentos, nós cobramos deles uma força, uma valentia, tolhemos que expressem seus sentimentos e assumam seus medos, o que é extremamente prejudicial ao seu desenvolvimento.

Não permitimos a esse menino dançar, pintar, cozinhar ou exercer qualquer outra atividade que destoe do modelo masculino dominante. E, quando isso acontece, dizemos que eles são afeminados, ou seja, que eles têm características femininas, e que isso é ruim. É extremamente perverso. (…)”

Igualdade de gênero e cotidiano

“Quando a gente pensa na casa, na família, no lugar da pessoa que cuida, percebemos nitidamente que as expectativas em torno do comportamento das crianças estão atreladas aos papeis de gênero. Por exemplo, se na casa temos uma menina e um menino, vamos ser mais tolerantes ao mau comportamento do menino, porque isso é próprio dele. Já a menina provavelmente será punida se apresentar o mesmo tipo de conduta.

Esse modelo estabelecido que temos do que é ser homem e ser mulher acaba incidindo em tudo na vida de uma pessoa, desde seu modo de sentar, ao quanto se come. Já reparou como ficamos surpresos quando uma mulher come bastante?

Por isso, a importância que, desde cedo, as crianças tenham acesso a outros repertórios. Se não corremos o risco dela passar a vida se culpando por não ser a menina do vestido rosa, caso ela se reconheça fora dos discursos oficiais. (…)”

Fonte: https://educacaointegral.org.br/reportagens/igualdade-de-genero-pressupoe-uma-sociedade-justa-para-meninos-e-meninas/. Acesso em: 21/07/2020

Após a leitura da reportagem, os alunos farão uma discussão sobre ela, e podem ser levantados os seguintes pontos:

  • Qual costuma ser a principal expectativa de uma família ao receber a notícia de que estão esperando um bebê? Por que isso acontece?
  • Por que é importante descontruir a ideia de que as diferenças entre ser homem e ser mulher é algo natural?
  • De modo geral, como as questões de gênero afetam as mulheres? E os homens?
  • Como vocês acham que essa construção de gênero, que nos é imposta desde o nascimento, afeta as pessoas que não se identificam com o gênero que lhes é atribuído?
  • Como vocês acham que a discriminação entre gêneros afeta a vida das pessoas?
  • Caso queiram, façam uma observação sobre algum outro ponto abordado na reportagem.

Cada grupo anotará suas observações e respostas e depois um representante apresentará para a turma o que foi discutido em cada grupo. Ao final, a professora fará as observações necessárias para o fechamento da discussão.

 

Aula 3

A turma será dividida em quatro grupos. Cada grupo ficará responsável por entrevistar um(a) colega e uma pessoa adulta (funcionária da escola, familiar, vizinha…) sobre o tema. Abaixo há algumas perguntas que podem ser utilizadas, mas é interessante que cada grupo elabore as perguntas a serem feitas:

  • No seu dia a dia, como você percebe a diferença de tratamento entre mulheres e homens? E entre pessoas heterossexuais e pessoas do grupo LGBTQIA+?
  • Você percebe alguma diferença de tratamento entre você e seus/suas irmã(o)s com relação ao fato de serem de gêneros diferentes? (Para quem tem irmã(o) de outro gênero)
  • Você educa seus filhos para que eles saibam lidar com as questões de gênero? (Para quem tem filhos)
  • Você percebe que a discriminação entre gêneros afeta sua vida de algum modo?
  • Você acha necessário que esse assunto seja mais discutido pela sociedade? Se sim, como isso pode ser feito?
  • Como você acha que pode contribuir para que não haja mais discriminação com relação à diferença de gênero entre as pessoas?

 

Aula 4

As informações trazidas pelo(a)s estudantes serão discutidas em cada grupo, que deverá fazer um compilado das entrevistas e uma conclusão delas e das atividades anteriores, relatando o que concluíram das entrevistas e o que aprenderam com o trabalho realizado até aqui. Depois, cada grupo apresentará para a turma esse compilado e suas conclusões.

Para a próxima aula, os estudantes deverão trazer figuras, fotos, desenhos, frases etc. que represente o que foi discutido, para a montagem de um mural.

 

Aula 5

Para finalizar o assunto, a turma fará um mural onde as principais ideias e questões discutidas deverão ser representadas por imagens e frases que eles elaborarão e colocarão em um mural.

A turma será dividida em grupos que farão, cada um, a montagem de uma parte do mural. Depois, as partes serão juntas e expostas na sala de aula, pátio ou corredor da escola.