Tarefa 6 – Curso EDH – Flavio Medeiros da Silva

Data

17 de julho de 2020

Cursista

Flavio Medeiros da Silva

Função

Professor de Educação Infantil e Fundamental I

DRE / Unidade Educacional

Penha

Escola

EMEF VISCONDE DE CAIRU

Tarefa EDH – Desafios do Contexto AtualFlavio Medeiros da Silva

Tarefa EDH – Desafios do Contexto Atual

Flavio Medeiros da Silva

Tema proposto – A Educação em Direitos Humanos no Chão da Escola – O Protagonismo Discente.

Justificativa

O conceito de direitos humanos refere-se tanto a situações políticas, como sociais e culturais. A partir disso, a própria conceituação de direitos humanos é plural, emitindo vários significados a partir da concepção cultural e jurídica. É possível identificar uma conceituação de direitos humanos a partir daqueles direitos fundamentais que o homem possui pelo fato de ser humano, por sua própria natureza e pela dignidade que a ela é inerente. Esse conceito que propicia a necessidade da construção histórica dos direitos humanos, produto de lutas políticas e sociais, em contextos históricos e sociais que reflete os valores, desejos e aspirações de grupos culturais e cada sociedade. A partir disso, o ideário que se tem dos direitos humanos é que todos os homens possuem direitos que deve resguardar a sua vida e a dignidade humana.

Na contemporaneidade, diante das situações de violência, intolerância, agressão e, consequente fragilidade do indivíduo ou classes, se faz necessário à preservação dos valores da vida humana e dignidade de toda pessoa, por isso percebe-se grandes discussões sobre a temática direitos humanos. A escola é o espaço por excelência de discussão desses direitos, ela reflete a vida social, é nela que se explicita as diversas problemáticas e anseios de nossas crianças, jovens e adultos.

Devido a grande hostilidade dentro da sociedade, como a desvalorização da vida humana, o preconceito, a exclusão social e demais mazelas sociais tratar sobre os direitos humanos torna-se vital para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. A educação é um dos caminhos por excelência para proporcionar a construção dos direitos humanos na escola e sociedade.

A partir das problemáticas sociais do preconceito, intolerância e exclusão social que se reflete na escola, o presente plano tem a intenção de desenvolver um trabalho educativo em direitos humanos que empodere os indivíduos na luta e construção dos direitos humanos no seio da escola.

Trabalhar com Educação em Direitos Humanos numa Unidade Educacional (UE) significa promover educação em valores desde a Educação Infantil, por meio de experiências de respeito mútuo que incluem todos que fazem parte da escola. Trata-se de fazer do convívio escolar e dos próprios processos de ensino e de aprendizagem ocasiões para vivenciar valores como liberdade, dignidade, solidariedade, igualdade, justiça e paz, que têm como pressuposto e condição essencial a prática do respeito entre todos na comunidade escolar. (RESPEITO NA ESCOLA, 2019, p. 21).

A partir dessa perspectiva de educação em direitos humanos, faz-se necessário um trabalho na escola que eduque e capacite os educandos a construir práticas solidárias que garanta os direitos humanos de todas as pessoas. A proposta desse trabalho é educar e conscientizar nossos educandos sobre o que é e a importância dos direitos humanos, para que eles possam se engajar nessa luta, criando um ambiente escolar e social mais humano, igualitário e equitativo.

Público Alvo: O trabalho se destina inicialmente aos educandos do 9º ano do ciclo autoral. Posteriormente esses educandos realizarão ações visando os educandos de toda unidade escolar.

Finalidade: A intenção do projeto é promover um trabalho educativo que capacite os estudantes do 9º ano em relação aos direitos humanos, concedendo formação para que esses educandos realizem trabalhos na escola numa perspectiva da educação em direitos humanos. A temática dos direitos humanos será abordada no Trabalho Colaborativo de Autoria (TCA) dos estudantes do 9 ano.

Objetivos/Resultados esperados: O objetivo geral do trabalho consiste em proporcionar uma formação em direitos humanos que capacite e empodere os estudantes do 9º ano, para que esses atuem no seio da escola por meio do TCA, desenvolvendo propostas que favoreça a reflexão dos educandos e proporcione transformações na escola. É por meio da educação que haverá as transformações necessárias para a garantia em direitos humanos. Nesse sentido, os resultados esperados envolvem o desenvolvimento do protagonismo discente, por meio da formação e educação em direitos humanos, que viabilizará práticas educativas impulsionadas pelos estudantes do 9º ano para envolver a escola na educação em direitos humanos, onde os educadores serão os mediadores desse processo.

Duração: A partir da proposta apresentada, a previsão de duração é de 2 bimestres, onde os educandos organizarão o trabalho de pesquisa, análise, formação e construção do TCA. Posteriormente a realização de práticas em direitos humanos construídas pelos estudantes no seio da escola envolvendo toda a comunidade escolar.

As atividades que comporão a sequência: O objetivo dessa proposta se fundamenta na formação dos educandos em relação aos direitos humanos, visando uma reflexão crítica sobre essa temática que propicie uma compreensão profunda e a autonomia dos estudantes sobre os direitos humanos com relevância para a prática social.

A primeira fase metodológica será a sensibilização, que tem como objetivo sensibilizar os discentes sobre a questão que será desenvolvida ou trabalhada, ou seja, trabalhamos a partir de um problema, que nessa proposta são os direitos humanos, nesse caso é importante que os alunos sejam sensibilizados para o problema, para que a partir disso os estudantes interajam da melhor forma com o trabalho e percebam a necessidade de investigação e estudo desse problema. Essa fase deve ser trabalhada de maneira mais lúdica, para que desenvolva os sentidos e a intelectualidade do aluno. Nesse sentido, nessa fase a proposta é o trabalho com filme, imagens e letra de poema e música.

Num primeiro momento a intenção é exibir o filme “O Menino do Pijama Listrado”. Esse filme vai ilustrar bem a questão dos direitos humanos, pois retrata a máquina de morte nazista e a ingenuidade e bondade das crianças que são vítimas da maldade de um sistema banal.  Os alunos serão muito sensibilizados com a história do filme, abrindo caminho para discussões pertinentes mediadas pelo docente.

 

 

O filme O Menino do Pijama Listrado se passa durante a Segunda Guerra Mundial, quando uma família alemã se muda de Berlim para Auschwitz, quando o patriarca é ordenado a trabalhar em um campo de concentração. Assim, Bruno, um menino de 8 anos e filho do oficial, começa uma linda amizade com um menino judeu da mesma idade. O filme mostra o modo como o preconceito, o ódio e a violência afetam pessoas inocentes, especialmente as crianças. Para se trabalhar com os direitos humanos o filme é muito significativo, pois sensibiliza os alunos a questão humanitária e retrata atitudes que se contrapõe aos direitos humanos, mostrando a necessidade de tais direitos para consolidação de uma sociedade mais justa.

 

Nessa etapa de formação é importante os estudantes perceberem a questão da vida humana como aspecto central nos direitos humanos. Os professores podem contribuir com um aprofundamento dos aspectos da Segunda Guerra Mundial e do Nazismo, realçando os detalhes trabalhados no filme, contextualizando os dados.

O segundo momento da sensibilização consiste na análise de música que aborde essa temática para favorecer o ensino, várias são as sugestões, mas destaca-se para essa sequência didática a música Rosa de Hiroshima, do compositor Vinicius de Moraes. Rosa de Hiroshima é um poema escrito pelo cantor e compositor Vinícius de Moraes, e recebeu esse nome como um protesto sobre as explosões de bombas atômicas na cidade de Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas, oh, não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada.

 

Essa música é um grande instrumento de trabalho para o professor sensibilizar e propiciar entre os alunos a discussão e compreensão sobre os direitos humanos e a vida humana, abordando a necessidade de se pensar e discutir sobre tais direitos, perpassando a visão de banalidade dos direitos humanos, perceptível em alguns discursos na contemporaneidade. A música tem relação com o filme em relação à temática e ao período histórico e o professor deve contextualizar historicamente a criação do poema música.

A temática do nazismo e da segunda guerra mundial foi escolhida por constituir objeto de aprendizagem do 9º ano. Nesse sentido, o projeto dialoga com o conteúdo e os direitos de aprendizagens requeridos no ano de aprendizagem em questão.

O terceiro momento da sensibilização engloba a análise de imagens, onde os estudantes terão contato com situações reais que ferem a dignidade da pessoa humana e os direitos humanos expressos nas declarações. Nesse trabalho as imagens escolhidas retratam a realidade brasileira e o nosso cotidiano, para que os dados se aproximem dos alunos e não estejam apenas permeados na história europeia, mas que os educandos percebam que os direitos humanos não se resumem a tortura e extermínio humano por meio da morte, mas também por situações que ferem a dignidade humana presente na realidade dos alunos. As imagens a seguir escolhidas podem ser apresentadas aos alunos, para que os mesmos a analisem e discutam entre si as impressões que chegaram.

Imagem 1 – Criança em situação de pobreza

Fonte: Google

 

 

Imagem 2 – Criança trabalhando e fora da escola

Fonte: Google

 

 

 

Imagem 3 – Situação precária de moradia

Fonte: Google

 

As imagens apresentadas podem ser um mecanismo de sensibilização sobre a ausência dos direitos humanos dessas crianças. Na imagem 1 é visível uma criança em situação precária de alimentos e condições básicas de subsistência. Na imagem 2 apresenta-se uma criança na rua trabalhando e não na escola, sendo uma violação sobre os direitos humanos, porque o direito a educação faz parte dos direitos humanos. Na imagem 3 têm-se as precárias condições de vida dos moradores dessa região, sem quaisquer condições dignas de vida. O trabalho com essas imagens é relevante para que os alunos não associem direitos humanos apenas à questão da violência física, mas que identifiquem outros tipos de violência, como a não educação, que também é um tipo de violência.

Nessa discussão é importante propiciar a discussão, permitindo que os estudantes identifiquem e especifiquem situações no cotidiano escolar e social que fere a dignidade humana e a garantia dos direitos humanos, para que o trabalho dialogue com a realidade escolar.

A próxima fase metodológica é a problematização, que consiste em evidenciar o problema, a partir das atividades desenvolvidas com os alunos na sensibilização, o importante é fazer com que o problema seja visto, transformando em questão que necessita de um movimento investigativo. Nessa etapa os professores podem desenvolver uma discussão crítica com os alunos sobre a percepção dos mesmos sobre as atividades aplicadas na sensibilização. Segundo Gallo (2013, p. 330) “O objetivo é que os estudantes, sensibilizados pelo tema, possam percebê-lo como um problema a ser enfrentado filosoficamente, isto é, por meio do pensamento conceitual”. Os professores podem problematizar as questões a partir da mediação propondo aos educandos levantar os problemas que eles identificaram nas questões analisadas e vivenciadas, até mesmo levando-os a se imaginar na situação das pessoas que sofreram durante o nazismo, na segunda guerra mundial e que sofrem hoje, não tendo efetivamente os direitos humanos garantidos. Após os professores perceberem que os alunos identificaram e levantaram os problemas entra a fase de investigação.

Na fase de investigação, envolve um trabalho de estudo e pesquisa mobilizado pela problemática levantada. Nesse caso a pesquisa e a mediação docente contribuirá numa investigação profunda sobre o problema. A proposta é apresentar aos alunos o texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, apresentando a eles o contexto histórico de surgimento dessa declaração, permitindo aos estudantes compreender os fatores que impulsionaram a construção desses direitos em documentos e as perspectivas filosóficas inseridas nesses direitos. A proposta é aprofundar a concepção dos estudantes em relação aos direitos humanos, concedendo uma base teórica e reflexiva.

No trabalho com o texto da Declaração dos Direitos Humanos a proposta é que seja organizado grupo de quatro alunos e que cada um desses grupos fique responsável pelo trabalho com três artigos da declaração, eles mesmos podem escolher os artigos e realizar o estudo dos artigos identificando a efetividade de tais direitos na prática e propostas de como realizar na prática o cumprimento dos direitos estudados. Os professores podem propor um trabalho de elaboração dessa atividade em arquivo power point destacando os direitos escolhidos pelo grupo, a efetivação ou não de cada direito na prática e as sugestões para possível prática do direito, além do uso de imagens pelo grupo associadas à efetivação ou não de tais direitos. Esse trabalho pode ser apresentado à sala, e o grupo junto com a mediação dos professores podem analisar os dados construídos pelo grupo, abrindo a discussão em sala sobre as problemáticas dos direitos humanos na contemporaneidade.

Nesse movimento, a proposta engloba os estudantes identificarem quais direitos estão sendo garantidos e quais estão sendo negados no contexto da escola e da sociedade, considerando a realidade dos educandos. Após o trabalho de sensibilização e problematização, o contato com a realidade e os referenciais teóricos na fase de investigação contribuirá num ensino mais dinâmico e num aprofundamento das questões que envolvem os direitos humanos, permitindo a conceituação, ou seja, a construção do conhecimento pelos estudantes.

O debate será impulsionado nessa proposta, pois é um instrumento com grandes potencialidades e que permite o desenvolvimento do raciocínio, da argumentação, oralidade e expressão dos alunos. Propor um debate sobre o texto trabalhado é uma salutar oportunidade para que os alunos confrontem seus pontos de vista, tenham acesso a outras ideias e construam coletivamente uma visão mais crítica do texto e das problemáticas investigadas.

Após esse inigualável trabalho proposto nas fases da sensibilização, problematização e investigação, chega-se à conceituação, que coroa todo o processo realizado até o momento. Espera-se a autonomia do aluno para lidar com o conceito, que ele se coloque em sintonia com os conceitos, que pense por si mesmo aquilo que foi pensado em todo esse processo, sendo capazes de dialogar com os textos e identificar ferramentas que auxilie a reflexão e a construção do TCA. Nessa etapa a proposta se fundamenta na produção dos estudantes, onde eles serão motivados a construir um trabalho colaborativo autoral sobre os direitos humanos para ser aplicado na escola e que envolva a realidade vivida pelos educandos.

A partir da perspectiva que envolve a ação, o trabalho com questões práticas pode favorecer o aprendizado dos alunos e permitir o desenvolvimento da cidadania. Nesse sentido, os alunos podem ser convidados a investigar questões dentro da escola e comunidade de desrespeito à dignidade humana e descumprimento dos direitos humanos, como o não acesso à educação, a insegurança e a limitação do direito de ir e vir devido à precariedade do transporte público ou questões econômicas.

A partir de problemas mais presentes da realidade dos alunos os professores podem propor aos estudantes uma ação do grupo pensada e construída conjuntamente que busque o atendimento e a garantia aos direitos humanos, como um abaixo assinado, uma visita à prefeitura solicitando o cumprimento da lei, uma reunião com a comunidade em prol da construção de ações e mobilização coletiva. São várias as possibilidades, mas que deve ser construída pelos alunos. Os professores nesse processo devem dar voz aos estudantes, se tornando um orientador, no sentido de colaborar para que o conhecimento se torne efetivo, através da ação, da práxis dos indivíduos.

Os direitos humanos será tema do TCA dos estudantes do 9º ano que construirão uma proposta de trabalho que envolva toda a escola e gere o engajamento estudantil em relação aos problemas identificados na unidade escolar a respeito dos direitos humanos. As propostas de trabalho serão construídas pelos estudantes que serão orientados pelos professores.

As propostas apresentadas nesse presente trabalho têm a função de fundamentar e orientar o trabalho com os direitos humanos. Não existe apenas um caminho, mas vários são os caminhos, os professores a partir de sua realidade utilizarão os instrumentos que melhor atenda a necessidade de aprendizagem dos alunos. Esse processo de ensinar e educar para os direitos humanos deve permitir a ressonância na vida prática dos indivíduos, na formação da cidadania e na consolidação de instrumentos intelectuais e sociais na construção de uma sociedade mais democrática, onde todos possam fazer parte verdadeiramente do mundo, estando inseridos numa comunidade política, em que os direitos humanos não sejam apenas uma utopia, mas se torne uma realidade, construída coletivamente a partir da ação.

 

  • Avaliação

Os resultados serão avaliados a partir da participação dos estudantes nas atividades, discussões, elaborações e construção do TCA. A proposta de avaliação adotada nesse projeto é a perspectiva formativa, que foca no desenvolvimento do estudante. Será avaliado o protagonismo do corpo discente, como as propostas apresentadas por esses para interagir no contexto vivido e buscar a garantia dos direitos humanos.

Referências Bibliográficas

RESPEITO NA ESCOLA: Educação em Direitos Humanos. São Paulo: Instituto Vladimir Herzog, 2019

GALLO, Silvio. Filosofia experiência do pensamento: volume único. 1.ed. São Paulo: Scipione, 2013.