Tarefa 6 – Curso EDH – Elisabete Fernandes Pita de Melo

Data

4 de agosto de 2020

Cursista

Elisabete Fernandes Pita de Melo

Função

PEI

DRE / Unidade Educacional

Santo Amaro

Escola

Jardim Luso

Tarefa do curso

Educação em Direitos Humanos – Desafios do contexto atual

Organizado pelo Projeto Respeitar é Preciso! do Instituto Vladimir Herzog e a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo

 

Cursista: Elisabete Fernandes Pita de Melo

Registro Funcional: 799.13.55-1

 

O tema proposto: “Mais que ver e ouvir, vamos sentir poesia!” Durante o curso “EDH Desafios do contexto atual”, pude refletir sobre como atuar ativamente para contribuir para uma educação comprometida com a democracia, o respeito às diferenças e valorização da diversidade, bem como para prevenção e abordagem das questões relacionadas ao bullying, violência escolar e produção social de sofrimento. Dentre tantas ideias, provocações e contribuições, tive um estalo quando ouvi na “live” da professora Biancha Angelucci, confesso que foi a primeira vez, o termo “Slam”. Como professora de língua portuguesa e conhecedora de Libras, me senti curiosa e até desinformada: “O que seria Slam?!?”. Fui pesquisar mais sobre o assunto. Após o encantamento com o trabalho já realizado por tantas pessoas, mas que para mim era desconhecido e imagino que também seja para maioria dos estudantes ouvintes, pensei na realização de uma atividade que propicia-se um intercâmbio de idiomas, estudantes, escolas e de cultura como elo: a poesia e a inclusão.

Justificativa: A Educação Inclusiva possui uma longa história para conquistar espaços inclusivos, acessíveis e de respeito a todos e a todas. Em sua grande maioria os estudantes deficientes auditivos vão para Escolas Municipais de Educação Bilíngue para Surdos (EMEBS) para que tenham o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

Na EMEBS, o estudante aprende a se comunicar e tem o seu direito garantindo no que diz respeito ao sujeito surdo em sua identidade e cultura. Mas é fora desse espaço? Como a Educação Inclusiva acontece para os surdos? Como os estudantes ouvintes podem ter acesso a essa cultura e língua? Acreditando que a inclusão somente acontece quando há conhecimento, informação, sensibilidade e respeito.

Segundo o dicionário Dicio on-line, poesia é “arte de compor através de versos; modo de expressão artística caracterizada pelo uso de regras, de sons ou de estruturas sintáticas específicas”. Poesia são palavras que tocam os sentimentos, por isso pode ser um elo entre ouvintes e surdos, transpondo os desafios do cotidiano escolar e da sociedade no contexto atual de discriminação, preconceitos e desinformação.

Nessa crença de que é no cotidiano do convívio escolar que se pode favorecer a formação, por meio das atitudes que se toma, do estabelecimento de respeito entre todos que as atividades do intitulado “Mais que ver e ouvir, vamos sentir poesia!” pretende atingir estudantes ouvintes e estudantes surdos, intercâmbio entre escolas, professores e acima de tudo, tendo os estudantes como protagonistas.

 

A quem o trabalho se destina: Os estudantes que se pretende atingir precisam ser alfabetizados e possuir domínio sobre a sua língua. Por isso, a sugestão que sejam estudantes no ciclo autoral que estejam em um dos três anos finais (7º, 8º e 9º). Contudo, a poesia é muito democrática e pode ser adaptada e selecionada conforme o território que estudantes estejam inseridos.

Finalidade: A poesia é um gênero que é trabalhado pelos professores no início do letramento. O Currículo da Cidade de São Paulo trata a poesia dentro dos eixos organizadores como prática de escuta e produção de textos orais, que acarretam conhecimentos pragmáticos, discursivos, textuais e até gramaticais. A poesia traz um leque de finalidades e em especial, a poesia favorece na capacidade de apreciação e réplica do leitor em relação ao texto.

Para estudante surdo, a poesia é o “SLAM”. Slam traduzido do inglês bater, não é o mesmo para comunidades surda. Slam é uma batalha de poesias, um jogo, uma celebração, uma forma poética do corpo, mãos, olhos, boca e movimento expressar sentimentos. O Slam é a voz poética do surdo.

Por isso, a poesia verbal e a poesia expressada será o eixo principal de intercâmbio entre estudantes ouvintes e surdos.

Nesse sentido o caderno Diversidade e Discriminação do Projeto Respeitar é Preciso! traz a seguinte citação relevante: “os alunos saberão reconhecer e considerar os direitos daqueles que não são exatamente como eles, olhando para o coletivo, enxergando de forma crítica a cidade em que vivem, buscando nela os sinais da inclusão social e lutando por ela sempre que se depararem com cenas de injustiça social e discriminação” (p. 39). Isso só é possível se nós, educadores, propormos experiências que sejam além do muro escola e vá ao encontro de outras realidades, favorecendo interações e ações conjuntas.

Objetivos: Podemos pensar em objetivos segmentados e inteiramente cognitivos e específicos na área da língua portuguesa como favorecer a leitura, capacidades de apreciação, fluência leitura, compreensão textual, capacidade de recriação poética da realidade pelo discurso de versos. Com toda certeza, estes serão objetivos atingidos. Mas pretendemos ir além, ao promover um sarau de poesias com estudantes ouvintes e surdos na língua portuguesa e na língua brasileira de sinais: ações inclusivas, interações de empatia e de discussões temáticas que serão levantadas durante a realização dessa atividade. Não há como prever e prescrever ponto a ponto que levantamentos, rumo de pesquisas e interações esta atividade irá nos levar, pois os estudantes ao longo desse caminhar irão apontar as necessidades e objetivos.

Apesar disso, nós, educadores, temos intencionalidades e uma delas que almejamos atingir é a parceria colaborativa.  Nesse aspecto, a Organização das Nações Unidas pela Agenda 2030 traz os 5ps que dentre elas aponta: “Parcerias: é preciso despertar a população para a solidariedade global, com ênfase nas necessidades particulares dos mais indefesos e vulneráveis”. Parcerias colaborativas também envolverão ações coletivas dos nossos estudantes que ao serem colocados como protagonistas de suas aprendizagens para criação de um sarau bilíngue poderão mais que ver e ouvir, sentirão a poesia de pessoas singulares, com contextos diferentes e identidades únicas, expressando diferentes “vozes” com diferentes ouvidos e olhos.

Na sala de aula, o trabalho será iniciado em parceria com alguma EMEBS. Os professores trabalharam em conjunto as poesias selecionadas e depois, uma apresentação coletiva de um Sarau para famílias e comunidade.

 Duração: 1 semestre.

As atividades que comporão a sequência:

  • Leitura compartilhada de poesias feita pelo professores. Nessa fase inicial, a leitura diária é imprescindível, tem como objetivo despertar a apreciação poética. O professor pode aproveitar para trabalhar a área gramatical, sintaxe e morfológica da língua. Aproveitando para averiguar o que os estudantes já sabem sobre gênero poético.
  • Identificar tipos de assuntos poéticos e escritores que os estudantes tem maior predileção (gráfico). Essa seleção será útil para posteriormente auxiliá-los na temática do sarau.
  • Roda de conversa: Após a leitura compartilhada, questionar como os estudantes com deficiência auditiva declamam poesia. Talvez haja momento de pesquisa. Nesse momento o professor pode compartilhar um vídeo de SLAM.
  • Promover uma pesquisa sobre os questionamentos levantados pelos estudantes.
  • Convidar os estudantes a elaborar um Sarau com os estudantes surdos.
  • Promover encontros de videoconferência entre as turmas.
  • Conversar sobre a organização de um sarau e elaborar um cronograma: temática do sarau, os grupos, quais poesias serão apresentadas, data do sarau, como será a divulgação para convidados, será apresentado presencialmente ou virtual (qual plataforma será utilizada?), ensaios, etc. Possibilitando vários momentos de pesquisa sobre a LIBRAS. Essa etapa poderá ter vários encontros para possibilitar diálogos entre as turmas.
  • Ensaios
  • Apresentação do Sarau

Avaliação: Propor uma auto-avaliação, realizar um levantamento do que os estudantes sabiam de poesia e SLAM, antes e depois, assim os próprios estudantes poderão compartilhar as aprendizagens adquiridas.

 

Referências Bibliográficas

Currículo da Cidade Língua Portuguesa- Cidade de São Paulo

https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2019/10/cc-ef-lingua-portuguesa.pdf

Diversidade e Discriminação – Educação em Direitos Humanos (Caderno) do Projeto Respeitar é Preciso! São Paulo, julho de 2019 | 3.ª edição. Acesso em: http://respeitarepreciso.org.br/cadernos-respeitar/diversidade-e-discriminacao/