Tarefa 6 – Curso EDH – Daniela Silva

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Daniela Silva

Função

PEIF

DRE / Unidade Educacional

Santo Amaro

Escola

EMEI Machado de Assis

Tema proposto

Raça e relações étnico-raciais

Justificativa

Documentos como o Currículo da Cidade, a Matriz dos Saberes e o Currículo Integrador da Infância Paulistana apontam a necessidade de se pensar e construir um ambiente educacional efetivamente igualitário para todas as pessoas. Urge refletir sobre a  importância de tal temática e o quanto a escola como instituição formadora não pode se furtar desta responsabilidade

Ao participar da formação ofertada pelo Instituto Vladimir Herzog algumas inquietações  surgiram me  fazendo  refletir sobre  qual de fato tem sido  meu papel diante desse cenário e quais ações diretas ou indiretas, eu e os demais agentes do cenário educacional  em que leciono estamos traçando de modo a ofertar uma educação comprometida com a democracia e o respeito às diferenças. Utilizar o espaço escola como formação para as questões de raça e relações étnico raciais com a prerrogativa de que, ao repensar a formação dos agentes educacionais e a reestruturação do PPP, construiremos de modo efetivo práticas inclusivas e de respeito às diferenças.

A quem o trabalho se destina

A mim, enquanto agente principal do espaço sala de aula e também a todos os demais agentes da unidade escolar. Equipe gestora, funcionários do apoio, ATE’s, vigias, todos são agentes de transformação e precisam entender a importância de uma atuação efetiva.

Acredito que todos precisam ser ouvidos diante de suas angústias e dificuldades, mas também precisam ser “alimentados de conhecimento”, para que se reinventem diariamente, quebrando assim paradigmas, diminuindo a  perpetuação de discursos vazios. “Deixar como está” não é uma opção frente a tanta necessidade de mudança.

 Finalidade

A formação no curso EDH-Desafios do contexto atual me trouxe uma série de questionamentos. A abordagem séria e respeitosa trazida em toda formação fomentou inquietações que certamente não conseguirei sanar sozinha. Minha intenção enquanto agente de transformação na minha unidade é trazer outras pessoas para essa inquietação.

A ideia principal é limpar o olhar e  romper com algumas barreiras. Encontrar maneiras de abordar a temática raça e relações étnico-raciais, seja em espaços de estudo e reflexão como a JEIF ou  em formações e reuniões pedagógicas. O intuito é debater, fomentar discussões, rever o PPP da unidade e trazer todos os agentes para relações verdadeiras e  potentes que certamente irão reverberar em um convívio respeitoso entre as crianças e os adultos da escola.

Entendo a dificuldade e o incômodo em abordar questões acerca de raça e relações étnico-raciais, mas gostaria que tal abordagem fosse mais debatida e estudada na escola em que atuo. Precisamos falar sobre a temática, sair do discurso simples e para isso é preciso  abrir espaços para a escuta e o diálogo de todos da unidade. O professor se sente impotente diante de inúmeras questões, então eu gostaria que os demais agentes se engajassem. É um convite para que, assim como eu fui provocada através do curso, as demais pessoas da unidade possam se olharem e repensarem suas funções de agentes transformadores na escola.

Objetivo

 A princípio contribuir de modo efetivo na elaboração de um  projeto político pedagógico que vise relações saudáveis e adequadas. Existe muita coisa “engessada” e esquecida na unidade em que leciono. Fazer “vista grossa” frente às questões étnico-raciais não é saída, é preciso buscar estratégias para que todos comunguem da mesma intencionalidade e legitimem o trabalho pedagógico.

Somos agentes transformadores, portanto precisamos pensar, que pessoas nossa escola está ajudando a formar com tais ações e o que de fato ela tem produzido e agregado como experiência às crianças.

Aprender a se perceber, mudar a postura, não é tarefa fácil, eu falo por mim e por tudo que “carrego”, mas meu objetivo é abordar essas questões auxiliando de alguma forma, trazer estudos e reflexões acerca da temática, expandir o conhecimento adquirido através desse curso, pedir parceria e principalmente continuar a ser formada.

Duração

 Não acredito em mudanças imediatas, mas trazer as reflexões que obtive com o curso mostrando como fui formada e incomodada, pode sim, ser o marco inicial.

Após esse “pontapé inicial”, de modo micro, nos espaços de formação menores, trazer o diálogo com meus pares e com a coordenação pedagógica. Explicitar a importância de abordarmos tais questões e repensarmos nossa escola.

Estamos vivendo um momento atípico não sabemos como e quando retornaremos, portanto reuniões pedagógicas e elaboração do PPP precisam ser pautadas, demandando maior tempo.

Com intuito de um começo, mas sem data para término, pois se trata  de mudanças, ações e reflexões contínuas.

Atividades

O Currículo da Cidade nos diz…

“Em detrimento da conjuntura recente, salientamos a necessidade de chamar atenção dos educadores para a urgência de se desenvolver uma educação antirracista no cotidiano escolar, para evitar que as injúrias psicológicas e emocionais do racismo étnico-raciais e segmentos sociais. Se, por um lado, o racismo implícito está atrelado à subjetividade manifesta nas relações interpessoais cotidianas, o lado objetivo ou explícito do racismo está relacionado às bases estruturais de vivências que privam milhões de crianças negras, indígenas e imigrantes, entre outros, do acesso a saneamento básico, saúde e moradia digna.”

Tal colocação nos faz pensar na importância de nossas ações, na quebra de paradigmas e o quanto todos os envolvidos no cenário educacional são responsáveis pela formação identitária na Educação Infantil.

Lutas para erradicar toda e qualquer situação de preconceito, estarmos atentos à fala das crianças, a forma como nos colocamos diante deles bem como o que de fato ofertamos a eles contribuirá de forma significativa com a erradicação de toda forma de racismo.

Na unidade em que leciono ocorrem ações de forma pontual, não há especificidade no PPP ou ações que envolvam a comunidade. A temática é pouco ou nada abordada nas discussões e na grande maioria das vezes voltada apenas aos professores.

Para tanto pensei em atividades que possam envolver a todos, de modo efetivo e não esporádico. O discurso acerca do “não temos formação” não pode ser impeditivo de ações concretas.

Atividades de formação

– Iniciar com as contribuições e reflexões tragas por mim acerca de toda formação adquirida no decorrer dos estudos no curso;

– Disponibilizar os cadernos do Respeitar é Preciso – trazer os cadernos para a JEIF, iniciar o debate acerca do que está disponível, ainda que em pequenos grupos;

– Já fazemos o estudo do Currículo da Cidade, mas agora precisamos revisitar com total atenção às questões étnico-raciais;

– Revisitarmos o nosso PPP, sugerir participação mais ativa na elaboração – não é fácil mas é preciso – ações concretas precisam estar explícitas no documento;

– Sugerir que nas reuniões pedagógicas exista um “tempo” para abordarmos questões relacionadas à temática mas que  envolva todos os agentes e não somente os professores – sugerir mais espaço para discussão e debate, ouvir quais a dificuldades do grupo e definir em conjunto quais as reais possibilidades;

– Sugerir maior transparência com relação a utilização da verba e dos recursos para compra de materiais didáticos voltados ao tema – brinquedos também. Há grande queixa por parte dos professores pela falta de literatura e brinquedos que abarquem todos os estereótipos;

– Ajudar, ainda que de modo pequeno, a transcender as  ações pontuais na Unidade, ultimamente só existem ações ligadas ao “Agosto Indígena”, Leituraço ou mês da Consciência Negra;

– Pedir apoio, parceria acerca da temática – esperar formação ofertada pela coordenação ou SME, mas  também fazer nosso papel, ir em busca, auxiliar;

– Trazer materiais de parcerias como do Instituto Geledés e materiais da Kiusam de Oliveira;

 Avaliação

Acredito que a melhor maneira de avaliar é através da observação e do registro das ações. Registrar o que foi possível fazer na unidade, ainda que apenas pequenos avanços.

Revisitar o PPP e discutir se de fato as ações de formação estão refletindo no trabalho com  crianças e com a comunidade.