Tarefa 6 – Curso EDH – claudia maciel da silva

Data

5 de agosto de 2020

Cursista

claudia maciel da silva

Função

Professor educação infantil e ensino fundamental

DRE / Unidade Educacional

Pirituba / Jaraguá

Escola

Emei Rodolfo Trevisan

CLÁUDIA MACIEL DA SILVA

 

CURSO EDH – DESAFIOS DO CONTEXTO ATUAL

PROJETO DE AÇÃO

 

Tema:

Valorização da imagem da criança negra

 

Destinatário:

Crianças de 4 e 5 anos de idade que frequentam a Emei.

 

Justificativa:

Em algumas situações na escola, temos a oportunidade de discutir e refletir sobre como se dão as relações raciais nesse ambiente. Na Emei, em que leciono por vários anos, o principal momento em que se abre espaço para essa discussão é nos Indicadores de Qualidade Infantil Paulistana, realizado anualmente. Neste documento há um capítulo sobre essa temática e deve ser respondido por um coletivo com todos os segmentos da comunidade escolar.

Pelo menos na unidade em que leciono, sempre que discutimos sobre questões raciais, a maior parte dos argumentos giram em torno da negação da existência de racismo, tanto entre as crianças, como entre adultos e crianças. Dessa forma, é bastante difícil construir algum trabalho, em um ambiente em que a negação ainda é muito forte. Para construir um ambiente favorável para grandes projetos que envolvam essa temática, ainda precisa de muita desconstrução da equipe e isso requer, além de outros fatores, o tempo. Contudo, acredito que há uma abordagem que considero fundamental e que consegue atrair mais docentes para sua efetivação não apenas em uma sala de aula, mas para todas as crianças da escola. Essa abordagem seria de valorização da imagem e da autoimagem das crianças negras.

Ao longo dos anos em que leciono para crianças de 4 e 5 anos, percebo que as crianças negras apresentam problemas relacionadas a sua imagem e autoestima, não só, mas em especial as meninas negras. As meninas, já desde muito pequenas, são cobradas socialmente para serem bonitas. Elas sofrem quando sua aparência física não corresponde aos padrões de beleza estabelecidos socialmente, percebendo isso em seu cotidiano. Não se parecer com as princesas, com as personagens dos desenhos, filmes e livros infantis, não ter o cabelo da Barbie ou não ter seu cabelo elogiado no dia a dia pelas pessoas, lhe dizem que não são bonitas.  Sem dúvida os meninos negros também sofrem em relação a sua imagem e autoestima, porém acredito que são menos cobrados que as meninas.

Dessa forma, considero que, além de um trabalho de combate as situações de racismo, é fundamental estabelecer uma educação que poderíamos chamar de preventiva, descontruindo com as crianças os padrões de beleza limitados, assim como a ideia de diferença como algo desigual.

 

Resultados esperados:

Espero com essa proposta contribuir para que as crianças negras fortaleçam sua autoestima, sentindo-se mais bonitas e seguras em relação a sua imagem e características físicas; descontruir os estereótipos de beleza com todas as crianças; ressignificar o conceito de diferença entendendo-a como algo natural e positivo e não desigual.

 

Atividades:

Para abordar essa temática com crianças pequenas precisamos transpor essa discussão para as linguagens infantis. Além disso, precisa ser continuado no decorrer de todo o ano letivo e não se concentrar em um momento e atividades especificas.

Uma das linguagens mais importantes da criança é o brincar. Dessa forma, fundamental que os brinquedos disponibilizados às crianças, contemplem a diversidade, e nesse caso com bonecos e bonecas negros e com cabelos crespos.

Mascote da turma: Temos um projeto na escola da turma ter uma mascote, que a cada final de semana vai com a criança para sua casa. Sugiro para esse projeto que a mascote seja uma boneca negra. Acho importante para que, além das crianças naturalizarem as bonecas negras, levar essa questão para suas famílias. Ser uma boneca também contribui para discutir o preconceito dos meninos de brincarem com bonecas.

Biblioteca volante: Neste eu discutam questões projeto, toda sexta-feira as crianças escolhem um livro de literatura e levam para casa para lerem com suas famílias. Nesse acervo é fundamental que tenham livros com personagens negros, que resgate a cultura africana e que discutam questões sobre cor de pele, cabelo crespo entre outros.

Na escola, nos momentos de roda de leitura diária, inserir livros com as temáticas citadas anteriormente. Esse é um momento importantíssimo, pois após a leitura as crianças gostam de comentar o livro e esse é um momento precioso para discutir vários assuntos, de maneira leve e dialogada. Além, claro da literatura conseguir dialogar com as crianças de maneira única.

Assim como a literatura, filmes e desenhos são ótimas oportunidades de dialogar com as crianças. É importante selecionar obras de qualidade que tragam aspectos importantes. É importante as crianças terem a oportunidade de se sentirem representadas, se verem nas obras de artes. Esses desenhos e filmes precisam perpassar todo o ano escolar, naturalizando essas questões, e não concentrando em um curto período.

Uma discussão que considero bastante efetiva com as crianças é em relação aos diferentes tons de pele. As crianças têm o hábito de colorir seus desenhos sempre com cores de pele clara, além de denominarem o lápis rosa claro de lápis cor de pele. Chamar as crianças para observarem os diferentes tons de pele presente na sala de aula e em suas famílias, relacionarem seu tom de pele com a cor de um lápis de cor, giz de cera ou canetinha, são atividades que funcionam muito bem para uma reflexão das crianças pequenas. Para que essas atividades possam se efetivar é fundamental disponibilizar materiais de colorir que contenham várias tonalidades de marrom. Hoje em dia, para nossa felicidade, já temos disponível muitos materiais acessíveis produzidos com o intuito de oferecer diferentes tonalidades de pele, das mais claras às mais escuras.

Construir com as crianças um repertório de referência de imagens de adultos e crianças negras, assim como cabelos e penteados. Isso é importante para que constantemente as crianças se vejam representadas, nos trabalhos com imagens. Esse olhar precisa ser intencional, pois corre-se o sério risco de nunca ter pessoas negras representadas nos trabalhos, pois em jornais e revistas essas imagens não são muito presentes.

Dia do Cabelo Solto: Como uma ação pontual, realizar um dia especial de valorização dos cabelos. Em especial, as meninas com cabelo crespo, não usam seus cabelos soltos. E isso rende várias narrativas negativas em relação a seus cabelos: difícil de cuidar, armado, seco, duro, palha etc. Neste dia combinar com as crianças de virem para a escola com seus cabelos soltos e aquelas que não vierem, a escola se preparar para pentear esses cabelos e soltá-los. O objetivo é valorizar a beleza de todos os cabelos, tirando fotos e produzindo cartazes para a escola.

 

Alguns livros para serem utilizados:

A cor de Coraline de Alexandre Rampazo.

O Cabelo de Lelê de Valeria Belém

Chuva de Manga de James Rumford

O mundo no Black power de Tayo de Kiusam de Oliveira

Obax de André Neves

As tranças de Bintou de Sylviane A. Diouf

Betina de Nilma Lino Gomes

Amoras de Emicida

Bruna e a galinha d’angola de Gercilga Almeida Pallas

 

Alguns filmes e desenhos:

Kiriku e a feiticeira

Kiriku e os animais selvagens

Doutora brinquedo

Motown Magic

Milly, Molly

Super Choque

Bino e Fino

 

 

Avaliação:

A avaliação se baseia principalmente na observação das crianças, em suas ações e falas, inclusive aquelas conversadas entre as próprias crianças.