Tarefa 6 – Curso EDH – Clarice Roriz da Cruz de Oliveira

Data

6 de agosto de 2020

Cursista

Clarice Roriz da Cruz de Oliveira

Função

DRE / Unidade Educacional

Butantã

Escola

CEI Jd. São Jorge Arpoador

Projeto Lelê: Discutindo papéis de gênero na Educação Infantil.

Ao longo da história da humanidade, os seres humanos sempre contaram histórias. Os griots, os pajés, os cordelistas, os contadores de causos, sempre estiveram presentes, desempenhando a função de conservar a memória e tecer a história.

Nesse sentido, cabe dizer que as linguagens participam da vida das crianças desde seu nascimento[1]. Nas vivências diárias dos bebês e das crianças são disponibilizados e acessíveis diversos materiais, objetos e brinquedos que incentivam a construção do aprendizado, e, dentre esses, o livro.

Em todas as salas da creche, há um canto de leitura onde as crianças podem passar alguns momentos manuseando os livros. Em um ambiente agradável e aconchegante, é garantido a todas elas a oportunidade de escolher livros que desejam folhear ou “ler” com os colegas, mantendo um contato permanente com a leitura.

Com as crianças de 3 anos, desenvolvemos projetos de reconto para apoiar a construção de narrativas, marco importante no desenvolvimento da linguagem nessa fase da vida. Todavia, a aproximação dos textos começa muito antes, com a presença de livros nas salas das crianças de 1 a 2 anos.

O resultado da mediação que os bebês criam, por meio dos livros, favorece o desenvolvimento da linguagem. Por meio das observações nas atividades de leitura, percebe-se o gosto que os bebês dos berçários têm em ouvir histórias.

Eles reagem expressando seus sentimentos por meio de balbucios, gestos corporais, sorrisos etc. Encantados com o que observam e ouvem, tentam imitar e responder, construindo um repertório que lhes permite iniciar uma forma de comunicação por meio de sons e gestos.

A permanência dessa atividade no cotidiano da creche ajuda as crianças na construção do hábito.

As crianças sempre se envolveram com muito gosto nas propostas de leitura. E com o tempo elas começaram a pedir para levar o livro para casa para mostrar para a mamãe. Assim iniciou-se o projeto, e, com o passar do tempo, vem se aprimorando e inovando a cada ano. Com os menores, o livro vem acompanhado da mascote – um boneco ou um animalzinho, confeccionado de tecido, que a criança leva para casa junto de um caderno para a família registrar como foi e experiência.

São muitos os benefícios que o contato com livros ainda na primeira infância é capaz de proporcionar. Várias funções psicológicas podem ser desenvolvidas, entre elas a memória e a capacidade de estruturar as informações. A leitura em voz alta para uma criança de 3 anos ajuda a despertar sua sensibilidade para diferentes formas da fala e ainda tem efeito positivo sobre a chamada atenção seletiva – a capacidade de se desligar de outras fontes de estímulo, mantendo-se concentrada numa só atividade por períodos mais longos. Ler histórias também ajuda no desenvolvimento da noção de tempo. O bom e velho “era uma vez” carrega em si a ideia de algo que acontecia e já não acontece, apresentando à criança a existência do antes, do agora e do depois.

 

[1] São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Coordenaria Pedagógica. Currículo da Cidade: Educação Infantil. – São Paulo: SME/Coped, 2019, p. 135.

 

Quais são os brinquedos e brincadeiras de menina? E os de menino? Damos as mesmas oportunidades em nossa rotina tanto para meninas quanto para meninos?  Com esses questionamentos que são comuns na Educação Infantil iniciamos nosso projeto Lelê. Personagem preta e de pano, foi construída na altura das crianças para ser inserida na rotina do CEI com Lelê, discutimos em roda de conversa os papéis de gênero que aparecem nas brincadeiras, valorizamos a estética negra trazendo para o grupo representatividade positiva de suas identidades enquanto pessoa negra e favorecemos a autoestima das crianças.  As famílias também fizeram parte deste processo de formação, fazendo parte da discussão com relação às construções de gênero nas brincadeiras, sendo convidados a levarem Lelê à suas casas e registrarem a experiência. Os registros das famílias são transformados em livro o qual as crianças recebem uma cópia.

Segundo o Currículo da Cidade de São Paulo, educar as crianças numa perspectiva compreensiva sobre a sexualidade e gênero e construir questionamentos sobre situações do dia a dia e tomar decisões apoiadas em informações, discussões e posicionamentos. Os Indicadores de Qualidade de Educação Infantil Paulistana – Indiques EI/RME – SP São Paulo, 2016a) já nos ajudaram a superar algumas práticas. Hoje as organizações não são baseadas em separação de meninas e meninos, da mesma forma como não há separação de brincadeiras e brinquedos. É possível ter um canto de fantasias e as crianças escolherem qualquer vestimenta ou acessório para usar.

Consideramos criança e infância a partir daquilo que as diferenciam. Isto quer dizer que, nos processos e práticas sociais que incidem e constituem as crianças, desde o início, há o recorte da sexualidade, etnia, raça e classe social produzindo diferenças. Embora as pessoas sejam diferentes a oportunidade tem que ser igual para todos.

Este projeto faz parte do nosso Projeto Político Pedagógico da escola e como Coordenadora participei de toda a elaboração do mesmo.

 

Clarice Roriz da Cruz de Oliveira

Discutindo papéis de gênero na Educação Infantil