Tarefa 6 – Curso EDH – AMANDA FRIGATTI NOGUEIRA ALBORNOZ

Data

7 de agosto de 2020

Cursista

AMANDA FRIGATTI NOGUEIRA ALBORNOZ

Função

PEIEF

DRE / Unidade Educacional

Campo Limpo

Escola

CEMEI MORUMBI

EDH – DESAFIOS DO CONTEXTO ATUAL

Relatório de atividade desenvolvida

2016 estava com uma turma de 1º ano, em uma EMEF da DRE Campo Limpo, em virtude da comemoração do novembro negro, haveria uma apresentação para esta data em toda a escola, desta forma optei em realizar com as crianças atividades que ampliasse nosso conhecimento sobre contos africanos levando assim a uma reflexão sobre as formas como eles se tratavam, como se depreciavam, principalmente as meninas com cabelos crespos ou cacheados, sempre buscando tratar do assunto de forma lúdica e incentivando a valorização pelo diferente.

Desta forma iniciamos o projeto Midra visita minha casa, uma boneca negra, seu nome significa princesa, originário do Quênia e Tanzânia. Esta boneca visita a casa de todas as crianças, levando consigo livros com contos africanos que serão lidos em família e onde a criança deve anotar a experiência em um caderno. No dia seguinte, na sala de aula, a criança tem a opção de contar para os colegas como foi a experiência e o que fez com a boneca em casa.

Em paralelo a esta atividade busquei outras leituras para realizar com as crianças, ampliando a discussão e a reflexão a cerca do negro na sociedade. Sendo assim conhecemos o desenho nigeriano Bino e Fino e também o colombiano Guilhermina e Candelário.

Como o funk é muito forte na comunidade pesquisei alguns cantores e conheci, e me encantei, com a MC Soffia. O fato dela ser criança e ter letras de músicas completamente envolvente, de valorizar seu cabelo e sua cor, de suas letras serem belíssimas possibilidades de diálogos, nos proporcionou ótimos momentos de reflexões. Conhecemos as músicas Menina Pretinha e Brincadeira de Menina. Os alunos gostaram muito das músicas da MC Soffia e optamos em apresentar, no dia da consciência negra, a música Brincadeira de Menina. Que foi ensaiada com muito entusiasmo pelas crianças.

Foram atividades muito envolventes e significativas. Pudemos conhecer novas histórias, desenhos e músicas que valorizam o negro e assim valorizam nossos alunos. As atividades realizadas em sala foram expostas para que a comunidade também apreciasse os feitos dos alunos.

Para ampliar os momentos de reflexão e diálogos a professora da sala de leitura, Celina, foi uma ótima parceira de trabalho.

Reflexão, desta atividade, após o curso EAD – Desafios do Contexto Atual.

As questões raciais me tocam pessoalmente e profundamente. Apesar de ter uma pele não tão escura, na infância tinha desejo de tomar banho com sabão em pó Omo (pois ele deixava as roupas mais brancas) pois minha irmã e mãe adotiva tinham a pele clara. Conforme fui tendo conhecimento do mundo e identificando exatamente o que me incomodava, e após conhecer, já na faculdade, uma excelente mestra que me fez questionar a sociedade e suas certezas, fiz inúmeros cursos sobre a cultura africana e afro brasileira, ampliei meu vocabulário e também biblioteca com livros de literatura africana e indígena para crianças.

Quando conheci aqueles rostinhos em 2016, com seus quase seis anos de idade e suas falas tão carregadas de esteriótipos e dores, não exitei em ampliar seus conhecimentos, e sempre os questionei sobre suas falas, direcionadas para doer e magoar seus colegas, em sua maioria para desmerecer o cabelo crespo e cacheado das meninas.

Após as aulas propostas pelo curso, eu fiquei repensando nesta atividade, que foi muito significativa também para a Unidade Escolar em que aconteceu, e admito que se fosse hoje eu ampliaria e muito as atividades e suas reflexões.

A opção pela boneca foi de trabalhar através do lúdico questões que são dolorosas, para adultos e crianças, e atingir as famílias, para que elas também pudessem ampliar seus conhecimentos de contos africanos. Não houve preocupação em um registro mais apurado de como as famílias se sentiram, de como elas se relacionaram com aquela boneca em suas casas, apesar de assinarem uma autorização para que sua criança a levasse para casa. Hoje, após as aulas do professor Luís e da professora Paula eu teria um olhar mais cuidadoso com essas famílias, talvez envolvendo-as em algumas atividades realizadas em sala, trazendo-as para contarem suas experiências.

Ouvindo e participando das aulas da professora Luciana acredito que o maior ganho que toda a escola poderia ter tido com essa atividade era a coletividade. Não houve entre nós do corpo docente daquela unidade escolar uma discussão profunda sobre nosso papel, pedagógico, na afirmação de esteriótipos e também na disseminação do mesmo. Na nossa UE quase não havia brinquedos e os que tinham não atendiam as diferenças étnicas que nos identifica e nos engrandece, como sociedade.

E para finalizar, termino com uma frase, trazida pela professora Paula, para que eu nunca perca de vista o que realmente é importante e significante.

“A prioridade absoluta tem de ser o ser humano!” José Saramago.

Amanda Frigatti Nogueira Albornoz