Respeito é reconhecimento

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    Talita da Cruz Coelho
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    Hoje, dia 4 de junho de 2020, assisti a aula sobre Respeito. Tanto a fala da formadora Crislei quanto o relato da Pamela trouxe muita reflexão.
    Hoje também, a mídia divulgou o caso do menino Miguel, que sofreu uma queda do nono andar, ao procurar por sua mãe (empregada doméstica) pelo prédio. Fora abandonado pela patroa, quem estava cuidando dele no momento.
    Crislei falou sobre a etimologia da palavra Respeito; reconhecer o outro. O respeito envolve o diálogo e a escuta. Não pude deixar de relacionar a aula, a notícia e a prática na escola.
    Lembrei de umas aulas de leitura, quando lia com os alunos os contos dos Cadernos Negros, acervo de literatura afro-brasileira. 
    Lembro das reações de indignação com o Conto “Elevador a Serviço” de Cristiane Sobral. Aqui, estava presente a escuta e o diálogo que transforma; o respeito.
    Na história, a personagem principal Malena, residente de um prédio de luxo, era “confundida” como empregada doméstica. 
    O elevador social estava quebrado, e o encontro com uma senhora no elevador “de serviço” é o cerne do conto.
    Aqui, a fala da formadora sobre o sujeito de direitos ficou latente. O sujeito é um corpo atravessado de marcadores sociais. E a gente não olha todos os sujeitos da mesma forma.
    Lembro do silêncio dos alunos, quando conseguiam estabelecer relação do lido com o racismo real. Quando eles percebiam o quanto pode ser sutil o preconceito e parecer engano. Mas não é!
    A senhora branca do conto, quando questionada sobre sua postura:
    diz que ama os negros e que os empregados são como pessoas da família.
    E quem nunca ouviu isso antes? 
    Dos mesmos criadores de “somos todos iguais”, “todas as vidas importam”. E tantos discursos de invisibilidade para a dor do outro, porque tem gente que não suporta ceder sua importância. De novo, Crislei diz que quando a palavra não é uma possibilidade existe violência.
    E ouvindo essas frases, sem refletir, por um segundo, pareceu engano achar algumas senhoras e senhores racistas.
    Até que fica claro, o quanto a senhora se importa com o outro.
    A patroa que devia cuidava do menino atribuía qual significado para ele? Seus direitos eram invisíveis.
    O quanto as senhoras que acham os empregados pessoas da família respeitam os meninos como Miguel?
    Não tanto como se importam com os seus cachorros, que precisavam de ar puro.
    Não tanto para proteger Miguel dentro de casa.
    Não tanto quanto o esmalte fresco das unhas, que podiam borrar se segurasse o menino.
    A falta de reconhecimento aqui, a falta de respeito aqui foi a morte.

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