Direito à diferença

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    Talita da Cruz Coelho
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    A fala da educadora Gunga e da Deisy me tocaram muito. Me lembro de inúmeras conversas com amigos, da tentativa de desconstruir o mimimi.
    A história de discriminação vivida por Albert Cohen e os cúmplices silenciosos do camelô me levaram à um texto antigo que escrevi:

    No fundo, todo mundo quer ser colonizador.
    Por isso que os oprimidos ficam do lado do opressor.
    Eles se convencem que Quem já tem demais não tem o bastante.
    E ter o bastante é ter o que é dos outros.
    Palavras bonitas e argumentos vazios constroem a guerra.
    E os alienados seguem destruindo a nossa terra.
    Não estranhe que o algoz seja um amigo seu.
    Ele também vive na senzala e ainda não percebeu.
    Tem prazer em segurar o chicote e causar ferida.
    Acha que ter o chicote vai garantir sucesso na vida.
    Passar a perna nos outros não é ganhar a corrida.
    A sua violência não consegue me calar.
    Cicatrizes viram motivação
    Para vencer a ignorância só uma boa educação
    Vejo nas crianças um pontinho de esperança
    Sou resiliente e vivo pela mudança
    Eu não vou esperar o mundo acabar,
    Enquanto tenho forças pra fazer ele girar.
    Se unir ao opressor não te torna mais esperto
    O tempo pode estar fechado
    mas o coração precisa estar aberto.

    A fala da Ginga ainda, sobre a gente gerar discriminação quando não considera as diferenças das pessoas ainda está na minha cabeça. Às vezes, é cansativo erguer a voz e dialogar sem escuta. Mas é urgente!
    Deixo mais um poema meu que conversa com essa aula.

    Eu falo a língua do mimimi
    O mundo está ficando chato mesmo…
    …para quem não respeita os outros.
    Me orgulho de não aceitar tradições inconvenientes.
    Me orgulho de ter ambições além ser mãe e dona de casa. Eu não sou tamanho único. E não aceito os padrões estéticos impostos.
    Me orgulho em assumir meu lugar de fala e exigir representatividade. Não me canso em explicar que as decisões sobre a vida da mulher são pertinentes a ela. E não me canso de rebater o discurso da construção social e do que está posto como desculpa para aceitar “piada” de mau gosto.
    E quantos anos mais temos que esperar para a mudança?
    A piada para você e o assédio para mim, reflete uma sociedade que:
    * é líder no ranking do feminicídio;
    * não emprega mães com filhos pequenos;
    * não remunera homens e mulheres igualmente;
    * culpa a roupa da vítima pelo estupro;
    * recrimina a legalização do aborto e defende a esterilização.
    E usa o mimimi para depreciar suas ideias.
    Então respeita meu mimimi porque ele é consciente!
    Talita Coelho

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