Como mediar o caso de invasão na escola?

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  • #13440

    Quero saber qual é o meio mais eficaz para resolver essa história da invasão da comunidade na escola, se é começando por uma conversa com quem manda na comunidade ou chamar a guarda civil? O que eu faço?

    #13576

    Acho que primeiro deve se pensar e analisar o que de fato está acontecendo para estas invasões. Será apenas vandalismo? ou a comunidade local não se sente pertencente e representada pela escola e como uma maneira de “revide” invadem e destroem um bem que devia ser cuidado e pertencer á todos. Acredito sempre no diálogo, creio que esse seja uma tema para ser colocado no Conselho de Escola que é um meio formal e composta pela comunidade escolar e a partir desse primeiro momento tentar identificar para depois pensarem em uma ação.

    #13583

    Edineide, obrigada pela atenção, a escola sempre está aberta a dialogo, pois fazem a escola de travessia, de quintal da casa no horário comercial, não importando que as crianças estão no espaço externo. A escola já conversou com a comunidade para utilizar o parque nos finais de semana. Mas na segunda-feira encontramos de tudo jogado no parque, até utilizam como banheiro. Tanto que a escola está passando por reforma, a diretora conversou com as pessoas que estavam empinando pipa no parque, pediu se eles poderiam ir soltar os pipas nos campos que tem ao lado, um até falou que tem filho, que fazemos um bom trabalho, mas continuaram lá.

    #13585
    Ana Lucia Catão
    Moderador

    Márcia, vc traz uma questão difícil de ser respondida sem conhecer seu território, sua escola, nem a situação concreta.

    Quando vc fala invasão, eu não sei se é a comunidade entrando na quadra de esporte fora do horário estipulado pela escola, não sei se são pessoas do entorno invadindo a a escola durante o dia, em pleno horário de aula, para ir atrás de alguém que está na escola, não sei se é alguém fazendo da escola um dormitório à noite, ou um QG… Enfim, todas essas são situações muito diversas.

    De qualquer forma, me parece que um bom caminho seja abrir a escuta. A escuta da comunidade escolar. Procurar entender coletivamente que movimento é esse.

    Por exemplo, se for uma questão de uso da quadra fora do horário combinado e talvez por pessoas que não são estudantes, vale a pena fazer um movimento com a comunidade escolar de mapeamento do entorno, entender que espaços de lazer há no território e talvez se dar conta que a escola é um dos poucos equipamentos com a possibilidade de compor área de lazer para a comunidade. E talvez com isso, repactuar usos da quadra com a comunidade do entorno. De certa forma, esse tipo de invasão fala de um reconhecimento da escola, de um desejo que a escola seja um equipamento público não apenas para os alunos, mas para a comunidade escolar.

    Noutras hipóteses, talvez a invasão esteja falando de um não reconhecimento da escola como um espaço que tem regras próprias, um espaço de segurança para as crianças, um espaço com a função de concretizar o direito à educação. E se a escola não está sendo visto como esse espaço protegido com finalidade educativa, talvez a escola não esteja sabendo deixar clara essa sua função para o entorno.

    Quanto a chamar quem manda na comunidade ou a guarda civil, eu perguntaria, para quê?
    Se for chamar quem manda para dar um jeito em quem invade (mesmo que não seja dito isso, quem manda pode entender isso), me parece um caminho perigoso, pois sabemos os métodos dos poderes paralelos. Se for para chamar a guarda civil para garantir a segurança e criar com isso um cisão entre o dentro e o fora da escola, me parece um caminho pouco criativo.

    Parece-me que o caminho é encontrar formas de diálogo com a comunidade, com quem manda e quem não manda, com TODOS.
    Esse diálogo pode ser através das estratégias pedagógicas da escola, fazendo os alunos mapearem problemas do entorno e intervirem nele, a escola fazer festas abertas, fazer feiras com as produções da comunidade, chamar a comunidade para apreciar as produções dos alunos, abrir a sala de leitura para a comunidade, fazer da escola um equipamento territorializado, implicar todos no cuidado com a escola.
    Esse diálogo pode ser através de grandes encontros de escuta e deliberações coletivas sobre os funcionamentos da escola, suas regras, etc. Esse diálogo pode ser através do embelezamento da escola, do cuidado com o espaço e o modo de acolhimento das famílias.
    Esse diálogo pode ser chamando as famílias não apenas quando algo ruim acontece, mas também para compartilhar algo bom.
    Esse diálogo pode ser por meio simbólico, tirando grades, diminuindo chaves, corredores intermediários.

    Enfim, tem muita coisa para pensar aqui. Espero ter ajudado!

    #13628

    Obrigada, Ana Lucia.

    #13808
    Ariane do Vale Santos
    Participante

    Quando a comunidade se sente pertencente à escola, dificilmente, não digo que é uma regra, se invade ou depreda a escola. Quando todos sabem da importância da escola, que ela é um lugar por onde os filhos e netos passarão, todos acabam zelando por este local. Existem locais que são esquecidos pelo poder público e a “zeladoria” é realizada pelas pessoas que dominam a região. Difícil decidi como intervir nesse conflito.

    #13979

    Ariane, também concordo, conseguimos marcar uma reunião com a líder comunitária da comunidade, já é um grande passo. Obrigada pela atenção.

    #14034
    Rogê Carnaval
    Moderador

    Olá cursistas!

    Ariane e Marcia complementam de forma muito pertinente a brilhante contribuição da nossa formadora Ana Lúcia!

    Muitas reflexões sobre essa questão.

    Um abraço,
    Rogê

    #14583

    Ana Lúcia, obrigada pela orientação. Conseguimos conversar com a líder da comunidade, e se colocou à disposição e disse que compreende o problema causado pela comunidade dentro da escola, e que não compactua com este tipo de comportamento. E disse que vai conversar com a comunidade para que isso não aconteça mais e irá fazer juntos com um abaixo-assinado para que a prefeitura levante mais o muro.

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