COMENTÁRIOS – Equipe Formadora (Crislei)

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  • #12471

    Caras e caros cursistas,

    Nós, da equipe Respeitar é Preciso!, estamos muito contentes com a participação massiva de vocês neste canal. São muitas as considerações e reflexões importantes que nos dão indícios da compreensão de vocês acerca dos temas abordados e de como eles os têm impactado. Assim, com relação a aula 2, gostaria de fazer alguns apontamentos no intuito de dialogar com as impressões aqui apresentadas por vocês e, quiçá, fomentar uma reflexão ainda mais aprofundada sobre a questão do respeito.

    Como a aula parte de um exercício de recordação e reflexão acerca de experiências pessoais, corre-se o risco de se conceber a ideia de respeito e de respeito mútuo em uma perspectiva mais pessoalizada e individualizante. Explico. É evidente que o respeito deve pautar as ações individuais e as relações interpessoais. Isso é para nós um princípio e um pressuposto. Contudo, o exercício e prática do respeito mútuo no cotidiano escolar e em todas as relações entre os atores que compõem a comunidade escolar extrapola a dimensão individual. Trata-se também de uma dimensão institucional, e, portanto, coletiva. E um coletivo não se constitui na simples somatória de indivíduos. Um coletivo, uma comunidade escolar constitui um agrupamento social.

    Nesse sentido, a ideia de respeito que tomamos como basilar da educação em direitos humanos não se encerra na noção de empatia, o que também não significa que esta seja dispensável. Obviamente que não. Mas a empatia se restringe à conduta e esfera de ação dos indivíduos, por isso, respeitar está para além disso. Como temos visto nas manifestações de combate ao racismo que se espalharam pelo mundo ocidental afora nas últimas semanas, há sujeitos que, na materialidade de seus corpos, reivindicam o direito à vida, ao reconhecimento de seu estatuto de humanidade no sentido pleno do termo. Dessa forma, quando dizemos que a educação em direitos humanos requer uma reeducação do olhar, uma ressignificação da maneira como olhamos e lemos os diferentes corpos e seus atravessamentos por marcadores sociais de diferença (raça, gênero, classe, território, geração, etc.), queremos evidenciar que o reconhecimento é uma resposta ética e política a partir da pauta dos direitos humanos e da educação em direitos humanos.

    O vídeo da Pâmela, além de nos comover, precisa nos fazer pensar sobre as materialidades que atravessam aquele corpo e o tornam mais suscetível a situações de humilhação. É preciso pensar nas “Pâmelas” do cotidiano escolar e se elas têm a sua dignidade humana reconhecida, se possuem espaço de voz e vez, se são lidas e tratadas como sujeito de direito, se são escutadas. Isso vale para as “Pâmelas” e para todas as pessoas que compõem a comunidade escolar, pois o respeito de que falamos é para todos e todas. Por mais que a afirmação de que todos os seres humanos nascem iguais e livres seja um princípio ético e político dos direitos humanos, é necessário que compreendamos que no contexto de uma sociedade preconceituosa, racista, machista, homofóbica, classista e profundamente desigual, o reconhecimento da humanidade de determinados corpos e de seu estatuto de sujeito de direito ainda é uma luta e uma conquista política. E, como pessoas inseridas nessa sociedade, não temos como negar que esses significados e significantes não enviesem o nosso olhar de alguma forma. A EDH pressupõe a disputa desses significados.

    Em resumo, não basta dizer “eu respeito”, é preciso pensar qual a minha e a nossa parte na concepção de uma escola que respeita a todos e todas e em que todos e todas se sintam respeitados. Por isso que, como salientamos desde o início, o caminho não simples e evidente. Trata-se de uma revisão e construção coletiva paulatina e constante.

    Espero que essas considerações possam contribuir para a reflexão de vocês.

    Um grande abraço

    #12503

    Os espaços de escuta precisam começar a ser construídos nas unidades escolares, acredito que um bom começo possa ser as gestões das escolas se abrirem para a escuta de sua comunidade escolar. Por vezes me deparo com grupos de professores e professoras que não se sentem respeitados e escutados, isso gera um feito dominó de não-reconhecimento e reverbera no estudante. Como co-responsabilizar a todos e todas nesse processo? O desafio é imenso, mas acredito que esse seja o melhor caminho na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

    #12511

    O tema educar a escuta ,me leva refletir, principalmente na questão respeito. Sou bastante questionadora, principalmente quando as informações vem de cima para baixo da pirâmide, sem ouvir o que se passa na base desta pirâmide,que responsável pela sustentação. Penso que assim como já refletia Paulo Freire, há uma insistência dos líderes em somente ímpor.

    #12724

    Ativar a memória nos provocando para pensar sobre situações de respeito e desrespeito, foi uma estratégia assertiva. Ao recordar os momentos me vi como vítima mas também como alguém que desrespeitou.

    #12823

    Procuro sempre um lugar tranquilo para tentar entender o motivo que levou o aluno a se auto-mutilar, a ser expulso da sala, entre outros problemas do cotidiano.
    Minha atitude é solitária e nem é bem vista por colegas, gostaria que mais pessoas pudessem fazer essa escuta, pois o aluno, muitas vezes, só que chamar a atenção, visto que a família não os olha como pessoa que precisa de carinho. O que sempre percebo é que os pais estão tão preocupados com o bem material e esquecem o emocional dos filhos.

    #12833

    Assim como Pâmela temos alunos no mesmo anseio que ela de ser ouvido sem ser julgado e esperando a empatia e respeito em determinadas situações que passam despercebidas no contexto escolar. A reflexão nos faz acreditar que é possível conviver mesmo que em um ambiente diverso, se tenha respeito e nós educadores precisamos ter esse olhar atento para de alguma forma tentar ajudar esse aluno.

    #12931
    Sônia Lino de Paula
    Participante

    Gente, esses vídeos são maravilhosos!
    Gostaria de leva-los todos para alguns debates e “escutas” na minha escola.
    Porque precisamos não só refletir, mais permitir a realização de escutas, debates e também de ações efetivas…

    #12933

    Ótimas palavras Crislei, muitas vezes refletivos sobre o desrespeito que sofremos, mas não paramos para analisar nossas ações que desrespeita o outro. Não basta dizer, ” “eu respeito”, é preciso pensar qual a minha e a nossa parte na concepção de uma escola que respeita a todos e todas e em que todos e todas se sintam respeitados.”

    #12955

    Só acho uma pena assuntos, cursos e formações como essas serem tão concorridas e para poucos. Talvez, se houvesse formações sobre assuntos tão essenciais e importantes como esses ao longo da nossa caminhada, poderíamos estar caminhando muito mais e a minha prática, a nossa prática já apresentar grandes mudanças, pensando em todos e para todos.
    Cada vez são mais questões, reflexões, mas isso não é feito da noite para o dia, talvez leve muito tempo para conseguir sentir que há respeito mútuo, direitos humanos e tudo mais. Temos que refletir e ressignificar sempre nossa prática e pensar no mundo de forma coletiva.

    #13124
    Tatiane Alves Vaz
    Participante

    Na educação infantil tem se falado muito da importância da escuta atenta, do aluno ser protagonista do seu aprendizado. Acredito que aos poucos temos adotado essa medida em nossa práxis pedagógica, isso se encaixa no respeito aos direitos e opiniões do educando. Geralmente fazemos roda de conversa, discutimos os combinados juntos, conversamos sobre as histórias ouvidas.
    Achei bem pertinente a fala sobre o educador romper com os estigmas que os alunos carregam, o quanto é necessário uma reeducação do olhar.

    #13163

    Refleti muito sobre minha postura na escuta, no diálogo e no respeito mútuo. Realmente percebi diversas situações dentro da escola onde este diálogo não é horizontal e nos sentimos desrespeitados. Acho que precisamos começar pela gestão e educadores abrindo este espaço de escuta e diálogo para que reverbere nos alunos e famílias também. Conforme uma colega comentou aqui, vira um efeito cascata, a gestão escuta os professores e funcionários, que escutam os alunos e famílias e assim por diante.

    #13165

    Olá, tutores e demais cursistas. Que delícia esta segunda aula. Confesso que quando comecei o estudo na aula 1, pensei: É preciso um curso para ensinar alguém a ter respeito pelo outro? E vejo que sim, é necessário e urgente. Quantas informações importantíssimas foram passadas nessas duas aulas. A Pamela ao falar de suas dores é de deixar quem a ouve muito emocionada. Não é fácil ser menosprezada pelo grupo em que se está inserido. E me chamou a atenção quando ela ao chorar pedir desculpas, como se fosse errado sentir emoção do que já foi vivido.
    Gostei muito das falas no vídeo em que a tutora Crislei Custódio com muita clareza e calam explica sobre o desrespeito que desumaniza o ser humano. Em cada parte de sua fala me vi pensando em tantas coisas atuais e passadas que me fez refletir muito. Parabéns pelo curso, estou apaixonada e com certeza serei uma multiplicadora destes saberes.

    #13217

    Participar desde curso é sempre uma nova forma de olhar copo meio cheio, ver que muitas situações não acontem só com vc ou com quem vc conhece é sempre uma nova perspectiva de lidar e de depois melhoras a situação

    #13232

    A escolha dos vídeos é sensacional.

    #13234

    Trabalhar a escuta é um trabalho de formiguinha, infelizmente não é sempre que aprendemos a ouvir e se colocar no lugar do outro.
    Como educadora tendo sempre melhorar, mas como ser humano sei que não sou perfeita e por vezes deixo de ouvir o outro.
    Quando você pediu pra pensar em um momento que foi desrespeitada, logo me veio a imagem da minha infância em que eu estava na 3º serie primária e pedi para ir ao banheiro e a professora não deixou, eu estava tão apertada que acabei fazendo xixi na frente de todos meus colegas.Minha mãe foi chamada na escola por meu comportamento ( era uma escola de padres) acredito que “aprendi a segurar minha vontade de ir ao banheiro” , como resultado ao longo da minha vida já tive várias pedras nos rins.Também por outro lado já me senti muito respeitada por uma diretora que entendeu a minha dificuldade para chegar pontualmente na escola ( pois meu acúmulo era tão distante que precisei contratar um motoqueiro para me buscar) e quando chegou no final do ano, fui para avaliação de desempenho certa que não teria um boa pontuação e para minha surpresa ela não descontou nenhum atraso , alegando que o que eu estava fazendo pela educação merecia reconhecimento e o respeito por todos.

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