COMENTÁRIOS DA FORMADORA – GUNGA CASTRO

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    Olá cursistas,
    Tem sido muito importante para nós, Equipe de Formadores do Projeto Respeitar é Preciso! manter este espaço de diálogo permanente com todos vocês e encontrar por aqui comentários e reflexões cada vez mais abrangente e instigantes.
    Antes de comentar as últimas postagens, gostaria de me reportar aqui a uma questão colocada na segunda feira passada, que acabei por não considerar no meu comentário. Trata-se de pergunta a respeito da Declaração dos Direitos das Crianças, e a dúvida colocada dizia respeito a ela fazer parte ou não da Declaração Universal do Direitos Humanos, de 1948. Ainda que esta declaração não faça parte do primeiro documento, ela também foi construída pela Assembleia das Nações Unidas, assinada em 1959, e ratificada pelo Brasil em 1961. Enquanto a primeira é organizada por 30 Artigos, esta Declaração é composta por 10 Princípios. De todo jeito, não custa lembrar que todas as crianças gozam dos de todos os direitos propostos na Declaração Universal, certo? Aqui no Brasil, como todos sabem, contamos com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e sugiro uma visita à Campanha que dedicamos a este documento aqui no nosso Portal, onde é possível assistir à entrevista que fizemos com o sociólogo e educador Francisco Bodião, importante referência na reflexão e na luta pelas direitos das crianças e adolescentes ( http://respeitarepreciso.org.br/historia-importancia-e-desafios-do-eca-uma-conversa-com-chicao-bodiao/).
    Muito bacana também, foi encontrar depoimentos aqui sobre eventos, atividades e propostas de reflexão sobre os Direitos Humanos realizadas nas escolas, unindo alunos, jovens, crianças e comunidade escolar. De fato, o tema dos Direitos Humanos deve ser, antes de tudo discutido, divulgado e compartilhado. Acreditamos que quando isso acontece neste espaço da educação, criando oportunidades de conhecer e viver estes direitos para todos, desde os primeiros anos de vida, a possibilidade de nos depararmos com adultos que ignoram, rejeitam e até temem os Direitos Humanos será bem menor, assim como a disseminação destas frases/clichés que foram discutidas por nós no primeiro momento da aula. Concordamos com todas as colocações que atribuem à escola a função de levar este tipo de discussão para todos e sustentar a prática da Educação em Direitos Humanos o tempo todo, em todos os espaços onde se faz educação. Estamos falando aqui de manter vivos os valores soberanos já citados anteriormente no ar e no cheiro e no clima escolar.
    A retomada de comentários a respeito da importância de garantir coerência entre nossos discurso e nossas ações, acreditando na soberania das ações sobre os discursos, nunca é demais. Este é sim, um princípio que pode nos acompanhar o tempo todo em nossa prática escolar.
    Outro tema levantado aqui desta vez, diz respeito ao trabalho de Educação em Direitos humanos com as crianças pequenas. Este é sempre um tema muito abordado em nossos encontros presenciais, e sempre vale a pena abordar. Ainda que as crianças de CEI e EMEI não sejam capazes de explicitar por meio da fala os conflitos, ideias e insatisfações, são capazes de perceber e aprender por meio das nossas ações. Vão respeitar na medida em que aprender o respeito, quando nós os respeitamos; vão perceber a igualdade de direitos na medida em que nossas ações forem justas com todos, vão preservar a dignidade dos outros na medida em que tiverem a dignidade respeitada a cada ato e a cada palavra que lhes forem dirigidas. É possível encontrar uma gama maior de informações e propostas a este respeito no nosso caderno “Educação em Direitos Humanos para Todas as Idades” (http://respeitarepreciso.org.br/cadernos-respeitar/edh-para-todas-as-idades/), mais precisamente, a partir da página 11.
    Por último, mas não menos importante, gostaria de comentar as questões relacionadas à escola pública e à escola privada, e as situações de bullying que acontecem nestes espaços. Acredito que não seja prerrogativa de uma escola ou de outra, mas sim uma das consequências das situações de discriminação existentes e cristalizadas não só na escola, mas na sociedade como um todo. O bullying pode ocorrer tanto na escola pública quanto na privada, e é importante que a comunidade escolar se ponha a pensar em formas de evitar este tipo de situação deplorável, considerado, antes de mais nada, o quanto a própria escola pode estar produzindo a discriminação e favorecendo estas agressões. Se, por uma lado, é fundamental coibir as agressões, por outro, sabemos que isso não basta, que é preciso olhar para a forma como a discriminação entra na escola e é naturalizada neste espaço, sem que nenhum tipo de indignação surja por parte dos adultos. Sobre isso, falaremos de forma mais profunda na próxima aula, mas com certeza, esta é uma das situações que justificam a prática da Educação em Direitos Humanos em todo e qualquer espaço onde se faça educação.

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