COMENTÁRIOS DA EQUIPE FORMADORA – GUNGA CASTRO

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  • #13323

    Queridas e queridos participantes,
    A ideia do respeito está sempre trazendo novos questionamentos, dúvidas e conversas. Como podemos relacionar o respeito com a escuta? Se, como conversamos na aula, respeitar é considerar o outro como alguém tão humano e tão pleno de diretos quanto eu, escutá-lo seria fazer valer, dar vida e transformar em ação, o respeito.
    O depoimento de Pâmela vai deixando isso claro para nós. Naquela conversa ela nos revela a ideia de que sem respeito não existem direitos, não é mesmo? Como alguém que não considero humano pode gozar dos mesmos direitos que eu gozo? Da mesma forma, uma pessoa que perdeu sua dignidade (mutas vezes pela ausência de direitos) não costuma ser respeitada às vezes nem vista como humano, e sujeito de direitos. Pâmela foi “coisificada”, por assim dizer, perdeu, naqueles momentos que narra, sua humanidade, concorda?
    Vale a pena também pensar no quanto a humilhação se relaciona com estas situações. É como se fosse uma bola de neve: o desrespeito nos arranca direitos, e uma pessoa sem direitos perde também sua dignidade, gerando uma humilhação que, muitas vezes, acaba por lhe calar, fazer com que se torne invisível no universo dos humanos.
    Garantir que o respeito seja o balizador das relações na escola é algo que implica em insistir em ações coletivas, onde todos se responsabilizam, respondem e tenham disponibilidade para trabalhar de forma educativa pela soberania do respeito mútuo na escola. Assim é preciso atentar para aquela ideia de que “só respeito quem me respeita”. Esta questão merece de nossa arte uma atenção especial: se, por um lado, o respeito mútuo pressupõe que todos se respeitem, por outro, desrespeitar um sujeito como resposta a um desrespeito, não pode nos levar a um bom lugar, sobretudo se nos colocarmos no papel de educadores. Só se aprende a respeitar, sendo respeitado. Uma criança só aprenderá a respeitar a partir do mundo em que for tratada com respeito também. É preciso fazer da escola um espaço permeado de respeito, onde o respeito seja exalado no ar, no cheiro da escola. De alguma forma, isso se relaciona com outra questão colocada aqui, que é a escuta ativa: Escutar de forma ativa é ter em mente a ideia de que o que for dito pelo outro pode desencadear em mim uma reflexão que pode vir a transformar minha posição, minhas atitudes, minhas ideias e até minha relação com meu interlocutor. Escutar ativamente é deixar que o outro te transforme e poder também transformar o outro.
    Bom trabalho a todos!

    #13421

    As professoras são muito felizes ao referenciar, fazer refletir o que é o direito. Eu particularmente tenho certa aversão ao termo, da forma como ele é utilizado atualmente: quase como uma arma de silenciamento. Dizer que respeita uma a posição de uma pessoa, é, em geral, também dizer: não quero mais falar sobre esse assunto, porque não haverá troca; então você fica com a sua opinião e eu com a minha. No entanto, o respeito colocado como pedra de silenciamento não possibilita encontro. Se não há encontro, é porque não são iguais falando, trocando, construindo juntos.
    A professora é tão feliz ao mostrar claramente que o respeito é dialogo, só se dá a dois, em grupalidade, e no reconhecimento da humanidade inerente ao outro.
    Na escola somos desafiados o tempo todo. E muitas vezes desrespeitamos, reagimos com desrespeito. Há muitas agressões no ambiente escolar. Começa pelo olhar que se tem do professor, um olhar de desvalorização, pela forma como o país entende a educação. Pelo fato de professor ter várias jornadas. Ao chegar na escola, falta materiais, às vezes a lousa é quebrada, chove dentro da sala. E o aluno que está ali, ele não entende que o professor também sofre com essas condições e não é por escolha nossa.
    E como não entendemos o aluno ou a comunidade como iguais, não propiciamos formas de controle social. De que toda a comunidade saiba dos problemas e participe das soluções. Ficamos culpando as famílias, os alunos, os governantes e nada se resolve.
    Diante de tantas questões, qualquer fagulha é o estopim para troca de ofensas. Para desumanização. Para usar o lugar de “autoridade”, e com isso afastar ainda mais a criança e adolescente que ali está, e que tem seus próprios sofrimentos, fruto de sua história, da sociedade e até da fase de desenvolvimento.
    Aprender a construir espaços de fala, primeiro com nossos gestores, com nossos colegas, com os demais trabalhadores da educação. E com isso, construir diálogo com os estudantes e a comunidade é um caminho longo. E requer também “implicar” o outro. Fazê-lo perceber que a sociedade é dele, a escola é dele. Ele não pode só receber o que lhe é dado, pois nada é de fato dado. Se hoje há educação para todos, é conquista realizada com muita luta.
    Coletivizar as lutas é essencial para conquistarmos espaços de troca e construção. Temos muito para aprender e muito mais para aplicar.

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