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Boa tarde! A cada aula mais percebo quanto preciso aprender e o quanto precisamos avançar enquanto sociedade nessas questões. Fico maravilhada com a forma suave e delicada que assuntos tão pesados são abordados aqui. Não me arrependi um segundo sequer de ter me inscrito mesmo, mesmo diante de tantas novas demandas que surgiram nesse período de pandemia. No que diz respeito ao tema dessa aula, só uma coisa me vem a cabeça: me colocar no lugar do outro. Como mulher branca, heterossexual existem coisas que jamais passei, e muitas vezes não compreendia no meu cotidiano. Gostaria de deixar aqui um breve exemplo: trabalhava na Cidade Tiradentes como Coordenadora Pedagógica, no extremo leste da capital. Certa vez precisei ir à uma reunião no Conselho Tutelar para auxiliar um menor que suspeitávamos de maus-tratos. Fui com meu carro, era por volta das 9h30 da manhã, peguei somente meus documentos pessoais e os registros que tínhamos que envolvia a criança. Ao chegar numa rua movimentada vi um viatura da Polícia Militar bem longe pelo retrovisor, continuei dirigindo, estava bem em cima da hora. Pouco tempo depois, percebi que a mesma viatura estava me dando sinal com os faróis, joguei o carro para direita, achando que eles precisavam de passagem, mas eles continuaram, joguei mais o carro para lado, quase subindo na calçada (confesso que essa hora já estava um pouco inquieta porque não tinha mais para onde ir e a viatura não seguia seu caminho). De repente eles ligam o giroflex, só aí percebi que precisava parar. As pessoas podem se perguntar do porquê não ter parado. A resposta é simples: nunca havia sido parada pela polícia. Quando parei o carro, o policial fez o serviço dele: desliga o carro e desce. Obedeci, mas para minha surpresa, com uma arma apontada direto para o carro, ele me viu e recuou, abaixando a arma.
Deste momento em diante todas as ações foram muito respeitosas, sempre me pergunta se poderia contribuir com a ação. Eles pediram o de de praxe: habilitação e documento do veículo, entreguei, mas outra surpresa aconteceu; ao pegar meus documentos o parceiro do policial que me abordou perguntou o que do Dr….( meu irmão que trabalhou fórum da cidade vizinha, muito próxima da região que fui abordada), respondi que era meu irmão, ele perguntou do meu pai e avô (pessoas que trabalharam na segurança pública) respondi que estavam todos bem, e eles simplesmente me liberam, mandaram abraços e me escoltaram até o Conselho Tutelar.
Eu fiquei muito pensativa com essa ação, e cheguei comentando na escola, e imediatamente, uma colega me disse assim: “Você não abaixou os vidros para que eles pudessem te ver?” Respondi que não, e a resposta foi a mais direta possível: “é porque você não é preta, se fosse já saberia que tinha que abaixar o vidro”. Esta frase mexeu tanto comigo, e desde aquele dia eu sempre tento me colocar no lugar do outro, não tem sido fácil, pois muitas situações eu jamais passarei, mas tem contribuído muito para minhas ações dentro e fora da escola.