Responder a: Aula 3 (parte 4) – MAPEAMENTO E PANDEMIA

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Mapeamento e Pandemia
A escola como um espaço educativo, de construção de conhecimento e aprendizagem, principalmente através das interações, coletivamente, uma vez que a faixa-etária que atendemos (4 e 5 anos) e ocorreu até o momento da pandemia. Reinventar a relação ensino-aprendizagem, partiu da necessidade de discutir e refletir no coletivo docente e gestão sobre algumas questões: Qual o papel da escola? Como ser professor neste contexto? O que queremos garantir para todas as crianças e famílias? E o que não queremos que aconteça? Como vamos ouvir as famílias? Como ouvir as crianças? A partir de reuniões virtuais, a equipe discutiu e chegou a alguns pontos: O papel da escola é garantir o direito das crianças de brincar e aprender através das interações, logo, nossas propostas pedagógicas serão no sentido de ampliar as possibilidades de brincar junto com as pessoas que estão interagindo em casa; Como acreditamos que o professor não consegue interagir e fazer as mediações e intervenções pedagógicas online, uma vez que temos que respeitar que a criança não pode ficar exposta a telas por longos períodos, definimos que o papel do professor é dialogar com a família sobre a intenção das propostas pensadas; Definimos que para respeitar o direito de todas as crianças serem contempladas em nossas propostas teríamos o cuidado de propor a vivências possíveis de serem realizadas sem custo, aquisições; Definido que não queríamos fazer na educação infantil EAD ou transformar os responsáveis pelas crianças em Professores e que não nos tornaríamos professores virtuais foi mais fácil continuar caminhando.
No segundo momento definimos que a coordenadora encaminharia com o grupo docente o material para comunicação com as famílias, enquanto que a direção encaminharia com a ajuda do quadro de apoio o contato com as famílias. Tratamos sobre como acessar as famílias e através de uma planilha telefonamos para as famílias perguntando como estavam, se possuíam acesso à internet, se possuía número de telefone, e-mail para comunicação com a escola, se haviam recebido o material da PMSP? Outro recurso foi acessar os condutores do transporte escolar para nos passar o contato whatsapp das famílias cujas crianças transportam, a fim de diminuir a demanda de ligações e agilizar o processo. Após este momento discutimos a viabilidade da comunicação via grupo de whatsapp, via lista de transmissão, observando a preservação dos dados pessoais das famílias e profissionais e com base no retorno do primeiro contato descartamos plataformas virtuais ou facebook. Criamos as listas de transmissão e iniciamos a comunicação com as famílias esclarecendo os canais de comunicação, a possibilidade de atendimento durante este período seguido do material construído pelo coletivo docente, incluindo toda a equipe (gestão, docentes, pessoas da limpeza, cozinha, quadro de apoio).
A partir destas ações continuamos monitorando quem não estava recebendo as mensagens, as dificuldades encontradas e utilizando todos os meios possíveis para garantir a inclusão do maior número de pessoas conectadas com a escola.
Para organização decidimos coletivamente os dias, horários de reuniões coletivas, quando reunir todos, quando reunir grupos por turno de trabalho ou por agrupamento incumbido de determinada tarefa, enfim, hoje já podemos visualizar uma estrutura de organização que tem se ritualizado.
Para cuidar do grupo de profissionais, como um todo, fizemos parceria com uma profissional psicóloga e realizamos até o momento quatro rodas terapêuticas e com as famílias tentamos pelas plataformas virtuais um encontro entre crianças, professoras e gestão a fim de saber como estão, como estão recebendo nossas propostas, as dificuldades encontradas. Também realizamos contato telefônico com as famílias das crianças deficientes e com doenças crônicas para dialogar como estavam vivenciando este período de isolamento. Com as crianças realizamos uma entrevista, tendo o adulto da família como mediador, a fim de escutá-las e conhecer sua rotina e o que mais gostava e não gostava deste momento. Esse material nos possibilitou olhar para o planejamento das propostas que enviamos para as famílias.
Já somos capazes de enquanto coletivo avaliar, pelo constante mapeamento, que não estamos atingindo todas as crianças. Este tempo de pandemia revelou o quanto não tínhamos contato com as tecnologias, sendo um grande desafio aprender o uso destas ferramentas; revela também a expectativa das famílias com relação a proposta pedagógica da escola e o quanto é preciso trabalhar que é direito da criança brincar; revela que a comunicação com a comunidade deve ir além do horário comercial e presencial; revela a vulnerabilidade das famílias que atendemos, pois muitas não tem acesso a internet, vivem do trabalho informal, possuem necessidade de apoio dos serviços sociais para as necessidades básicas de alimentação, porém não foram contempladas; a falha do cadúnico que garante para quem não precisa e não garante para quem realmente precisa; revela o quanto muitas mulheres são responsáveis pelo sustento da casa; o quanto a escola preenche o tempo das crianças e para muitos o único espaço, além da casa.