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#13421

As professoras são muito felizes ao referenciar, fazer refletir o que é o direito. Eu particularmente tenho certa aversão ao termo, da forma como ele é utilizado atualmente: quase como uma arma de silenciamento. Dizer que respeita uma a posição de uma pessoa, é, em geral, também dizer: não quero mais falar sobre esse assunto, porque não haverá troca; então você fica com a sua opinião e eu com a minha. No entanto, o respeito colocado como pedra de silenciamento não possibilita encontro. Se não há encontro, é porque não são iguais falando, trocando, construindo juntos.
A professora é tão feliz ao mostrar claramente que o respeito é dialogo, só se dá a dois, em grupalidade, e no reconhecimento da humanidade inerente ao outro.
Na escola somos desafiados o tempo todo. E muitas vezes desrespeitamos, reagimos com desrespeito. Há muitas agressões no ambiente escolar. Começa pelo olhar que se tem do professor, um olhar de desvalorização, pela forma como o país entende a educação. Pelo fato de professor ter várias jornadas. Ao chegar na escola, falta materiais, às vezes a lousa é quebrada, chove dentro da sala. E o aluno que está ali, ele não entende que o professor também sofre com essas condições e não é por escolha nossa.
E como não entendemos o aluno ou a comunidade como iguais, não propiciamos formas de controle social. De que toda a comunidade saiba dos problemas e participe das soluções. Ficamos culpando as famílias, os alunos, os governantes e nada se resolve.
Diante de tantas questões, qualquer fagulha é o estopim para troca de ofensas. Para desumanização. Para usar o lugar de “autoridade”, e com isso afastar ainda mais a criança e adolescente que ali está, e que tem seus próprios sofrimentos, fruto de sua história, da sociedade e até da fase de desenvolvimento.
Aprender a construir espaços de fala, primeiro com nossos gestores, com nossos colegas, com os demais trabalhadores da educação. E com isso, construir diálogo com os estudantes e a comunidade é um caminho longo. E requer também “implicar” o outro. Fazê-lo perceber que a sociedade é dele, a escola é dele. Ele não pode só receber o que lhe é dado, pois nada é de fato dado. Se hoje há educação para todos, é conquista realizada com muita luta.
Coletivizar as lutas é essencial para conquistarmos espaços de troca e construção. Temos muito para aprender e muito mais para aplicar.