Responder a: Práticas democráticas na escola, apenas um discurso ou uma realidade?

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Leciono atualmente em uma EMEI – Escola Municipal de Educação Infantil – e por alguns anos me orgulhei em dizer que viviamos em um crescente processo democrático que viabilizava a participação popular comunitária por meio de iniciativas como as promovidas pelos Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana.

Os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana constituem-se como um documento norteador de ações a serem promovidas nas escolas com o objetivo de “auxiliar as equipes de profissionais das Unidades Educacionais, juntamente com as famílias e pessoas da comunidade, a desenvolver um processo de autoavaliação institucional participativa que leve a um diagnóstico coletivo sobre a qualidade da educação promovida em cada Unidade,
de forma a obter melhorias no trabalho educativo desenvolvido com as crianças” (São Paulo (SP). Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica.Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana. – São Paulo : SME / DOT, 2016, p. 07).

Após refletir sobre as perguntas norteadoras propostas no modulo 6,ler o material de apoio e assistir aos vídeos, no entanto, percebo, humildemente, que ainda estamos longe de uma democracia escolar com participação popular ideal.

Nossas práticas, apesar de muito bem intencionadas, não bastam quando se propõe uma democracia escolar baseada nos princípios de igualdade, equidade e aonde o poder da palavra promova de fato o dialogo e aonde o respeito permeie todas as relações.

Percebo que para que a democracia escolar seja viabilizada, não nos basta reproduzir dentro dos muros da escola as práticas ocorridas na democracia política, principmente quando essas práticas, nas escolas cito as assembléias e reuniões dos Indicadores já citados, silenciam as minorias em atendimento aos desejos e “verdades” das maiorias.

Enfim. Ainda há muito a se aprender para que o dialogo, a participação e respeito sejam naturalizados em nossas práticas.

Como ponto de partida para fomentar a tão sonhada democracia, me atrevo a apoiar-me nas ideias que deram título a cada um dos módulos desse curso.

Precisamos entender que todas as atrizes e atores do processo educativo, todo indivíduo que compõe nossa comunidade escolar deve ser respeitado, partindo do pressuposto que para que um indivíduo tenha direitos fundamentais garantidos, basta que seja humano. O respeito aos direitos humanos e a garantia desses direitos e dos direitos de aprendizagem devem ser o norte para o qual todas as ações educativas sejam direcionadas.

Para além dessa garantia de direitos, como consequência ou como requisito para tal garantia, é imprescindível conhecer o entorno, o território educativo ao qual cada Unidade Escolar pertence a a potencia de cada território. Fomentar e fortalecer a articulação em rede e conhecer nossa comunidade é essencial para que a Escola cumpra, de fato, seu papel social.

Por fim, mas, também, por início, a simples constatação de que respeitar é preciso e que existência de conflitos é inerentes a condição humana e a vida social já me tira um enorme peso dos ombros ao constatar que para além da resolução de conflitos, muitas vezes promovida pela força, violência, silêncio ou imposição, não é a pretensão, mas sim a mediação, com toda a complexidade nela contida.