3. FAZENDO VALER AS EXPERIÊNCIAS ANTERIORES
 
3. FAZENDO VALER AS EXPERIÊNCIAS ANTERIORES

Formado o grupo e ritualizado o início dos trabalhos, é hora de refletir sobre como o grupo vai funcionar, construir combinados, estabelecer canais de comunicação não apenas do ponto de vista formal, mas de como se darão as relações entre os membros do grupo, coerentes com os valores fomentados no Projeto. Todos já tiveram experiências anteriores de vivências grupais e aprenderam com elas. É importante trazer essas experiências e partir delas para enriquecer a vivência que se inicia com esse projeto.

Providenciar

– Lousa e giz ou folhas grandes de papel para registros coletivos
– Folhas para registros individuais
– Canetas coloridas

Atividades
repeitarepreciso-atividades-discriminacao1. Em grupos de três, compartilhar experiências positivas e negativas de grupo de estudos ou trabalho do qual já tenham participado. À medida que os participantes de cada grupo compartilham, registrar em poucas palavras o que contribuiu para que fosse uma boa experiência e o que determinou uma experiência negativa com base nas seguintes questões:

Como avaliar se uma experiência de grupo foi boa ou não?

Como o grupo foi organizado? Quais foram os principais combinados? Quais dinâmicas de trabalho foram eficazes?

Quais foram as atitudes das pessoas? O que pode ser trazido para esse projeto?

O que não funcionava bem no grupo? Que dinâmicas não foram eficazes? Quais foram os entraves? O que não gostariam de repetir nesse projeto?

Que valores foram contemplados no modo de funcionar da experiência positiva? Que valores faltou contemplar no modo de funcionar da experiência negativa?

2. Fazer um registro coletivo na lousa (ou em folhas grandes de papel) dos diferentes aspectos que surgiram (positivos e negativos). É muito importante poder recuperar essas experiências depois. Organizar o registro em duas colunas: “O que queremos repetir” e “O que não queremos repetir”.

3. No coletivo, definir o que é importante especificar nesse momento como combinado de funcionamento e organização, contemplando a discussão anterior e tendo em vista que as próximas etapas de trabalho serão o mapeamento e a elaboração de um plano de ação para a escola. Alguém do grupo escreve na lousa os tópicos.

Ao final, esses tópicos precisam incluir também aspectos mais objetivos, como tempos, horários, próximos momentos de encontro, mobilizadores, pessoas responsáveis.

Lembrar que algumas decisões serão tomadas no momento do planejamento do mapeamento e outras, no momento do planejamento do plano de ação. Nenhum combinado é fixo ou eterno.

Finalização

Lembrar a data do próximo encontro. Combinar quem vai preencher o mural com os combinados de funcionamento, bem como quais combinados vão para o mural.

Elaboração da vivência

Parar, pensar e compartilhar expectativas pessoais em relação ao desenvolvimento das próximas atividades no que diz respeito ao funcionamento do grupo. Identificar o que será fácil e natural e o que será preciso de um investimento extra para manter o funcionamento respeitoso durante as atividades planejadas.

Texto de apoio
CUIDADOS PARA ABRIR ESPAÇOS DE DIÁLOGO

Criar um espaço de diálogo pode parecer simples. Em princípio, bastaria definir um horário, um local, escolher um tema, fazer uma pauta, reunir todos no local escolhido e seguir a pauta. O que nem sempre é tão simples é fazer desse espaço um momento de efetivas trocas, de conhecimento, reflexões, percepções e sentimentos. Com frequência, os momentos coletivos dos educadores na escola acabam sendo momentos de desabafo, reclamações e defesa de pontos de vista. Momentos de muita fala e pouca escuta. Reuniões que poucas vezes conseguem dar conta de promover discussões e decisões coletivas.

O diálogo entre ideias e opiniões diferentes se apresenta como uma dificuldade. Não contrariar as vozes mais fortes e não expor as próprias ideias para evitar conflitos parecem ser maneiras usuais de lidar com as diferenças.

Trocar implica que os sujeitos tenham histórias, repertórios, formas de pensar, experiências e saberes diferentes, e que, nas conversas, as diferenças sejam respeitadas, ressaltadas e exploradas.

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Ora, não parece espantoso pensar que numa escola não se saiba dialogar? Afinal, sem conversa, como gerar aprendizagem numa sala de aula? Sem diálogo, como trabalhar regras de convivência? Como planejar ações educativas sem trocar ideias e experiências? Como lidar construtivamente com conflitos sem escutar uns aos outros?

Diálogos podem ser considerados uma matéria-prima da tarefa educativa.

Numa conversa, todos os envolvidos são igualmente responsáveis pelo seu andamento. Ora, se um começa a desrespeitar o outro, este, ao se sentir desrespeitado, terá provavelmente a reação de se defender ou atacar, ou se defender atacando e desrespeitar o primeiro na medida da sua ofensa, do quanto se sentiu ofendido. E, assim, pode se iniciar um círculo vicioso. Na próxima ocasião que essas mesmas pessoas tiverem de conversar, é possível que esse histórico de desentendimento seja reavivado e atualizado… Talvez com novas ofensas, ou má vontade, ou desconsideração, ou surdez seletiva… Um grande desafio é buscar compreender o que faz o outro se sentir respeitado ou desrespeitado.

Conversas exigem disponibilidade e empenho

Indicamos aqui alguns lembretes que podem ser úteis para ajudar a construir esse espaço de aprendizagem que são as rodas de conversa.

1. É junto que se constrói conhecimento

Para abrir espaço de diálogo ou conversa, antes de tudo é preciso estar convicto dessa ideia: construímos conhecimento juntos. A intenção precisa ser construir com os outros, e não falar para os outros.

É preciso estar aberto para o que vier, deixando de direcionar o rumo da conversa. Caso contrário, os participantes poderão interpretar como manipulação ou falta de abertura para novas ideias, e o resultado será o desinteresse ou até mesmo o boicote do encontro.

Também é preciso ter paciência para deixar a conversa fluir e derivar um tanto. A ansiedade que leva a querer chegar muito rapidamente a uma conclusão inibe participações e bloqueia o processo criativo.

É preciso acreditar na potência do grupo para encontrar caminhos novos, mesmo que eles pareçam, em alguns momentos, um tanto quanto sem sentido ou despropositados.

Escutando e convivendo com as diferenças se ensina e se aprende a escutar e a conviver com as diferenças.

Falar sobre conflitos, divergências, proposições e soluções requer a construção de um espaço de confiança. Todos precisam se sentir à vontade para falar sincera e abertamente. Por isso, é fundamental tomar certos cuidados, como: acolher, propor combinados, distribuir a fala, observar a dinâmica do grupo, fazer uma escuta qualificada e até ritualizar pode ser interessante.

2. Acolhimento

Uma boa acolhida passa por uma série de detalhes. A seguir, apresentamos uma lista que vocês podem incrementar ou reduzir, fazendo novos experimentos.

– Preparar o espaço (lembre-se de como você prepara a sua casa para receber os amigos).

– Oferecer água, pipoca ou bombons pode tornar a conversa mais gostosa (o prazer compartilhado cria um ambiente mais favorável ao diálogo).

– Sentar em roda (assim todos podem ver a reação dos demais enquanto falam, criando um ambiente de segurança para falar).

– Compartilhar com todos o roteiro previsto para a conversa (saber sobre o que se vai conversar e para que costuma reduzir a ansiedade e dar foco).

– Perguntar a todos se entenderam a proposta de conversa e convidar todos a participarem (verificando o entendimento e gerando comprometimento).

– Ao longo da conversa, validar a fala de todos, concordando ou não com ela.

– Respeitar o tempo que cada um necessita para decidir participar com suas colocações.

Ninguém pode ser obrigado a falar. A voluntariedade da participação na conversa precisa ser respeitada, pois cada pessoa tem seu próprio tempo para elaborar aquilo sobre o que se pretende conversar ou se está conversando. Ainda assim, é importante estimular a fala.

Validar a fala de todos talvez seja um dos exercícios mais difíceis: não rebater uma fala da qual se discorda. Escutar, reconhecer, validá-la como uma fala legítima e dar espaço para que cada um possa reconstruir suas próprias verdades com base nas verdades dos outros. Quando a pessoa que está organizando a conversa se mostra aberta a rever seus próprios conceitos, os demais participantes também podem se sentir à vontade para rever os seus.

Assim, vale lembrar: validar não significa concordar com tudo e com todos, mas, sim, viabilizar o direito de todos a ter participação e a se colocar. Com isso, as diferenças podem aparecer e ser trabalhadas no grupo e pelo grupo, sendo as conclusões fruto do diálogo. Desse modo, será possível traçar ações coletivas, mesmo que todos não pensem da mesma forma.

É essencial ter clareza de que, para trabalhar junto, não é necessário homogeneizar as ideias do grupo. Aliás, tanto melhor quanto mais ideias e experiências diversas houver. O mais importante é se deixar contaminar pelas ideias dos outros para criar ações que contemplem o máximo de preocupações, pontos de vista, perspectivas de trabalho etc.

Não é preciso que todos concordem com tudo para chegar a acordos sobre as ações a serem implementadas naquele momento ou contexto com aquelas pessoas.

3. Combinados para a conversa

Os combinados que ajudam na organização dos momentos de conversa podem ser definidos de forma conjunta, com base na explicitação do que cada um precisa para se sentir seguro e à vontade para falar e para se sentir ouvido naquele espaço, bem como na explicitação do seu compromisso com as necessidades dos demais. Esses combinados também podem ser sugeridos e submetidos à aprovação do grupo.

Indicamos aqui algumas sugestões. Usando o bom senso, vocês intuirão quais desses combinados são bons para sua escola e quais, no seu contexto, podem ser descartados:

– Propor que não se interrompam as falas uns dos outros. Assim, a conversa flui melhor, e todos têm a oportunidade de falar.

– Propor que todos tentem escutar uns aos outros sem julgamento.

– Propor que cada um fale por si, explicando que isso ajuda a não se sentir invadido pelas verdades dos outros e facilita a escuta do que cada um tem a dizer.

– Propor que a fala de cada um seja respeitada também fora daquele espaço de conversa, para que as conversas não virem “fofoca no corredor”.

– Compartilhar com todos o tempo disponível para a conversa e ressaltar que, com esse tempo, se cada um falar no total durante “x” minutos, todos poderão falar e ser ouvidos.

Por que “propor” e não “dizer quê”? Porque se trata do convite para uma conversa a ser feita junto com os demais integrantes da comunidade escolar. Se os combinados forem impostos, terão poucas chances de serem cumpridos, mas, se forem propostos e acordados por todos (lembre-se de que é preciso verificar sempre a opinião do grupo), essa chance aumenta.

Suspensão do julgamento: A proposta de ouvir sem fazer julgamento tem o objetivo de facilitar a escuta do que cada um tem a dizer e deixar todos mais à vontade para falar o que pensam. Em muitos momentos, enquanto outras pessoas falam sobre determinado assunto, é de extrema importância ouvi-las atentamente, sem interromper e sem julgar o que estão falando antes mesmo de acabar de ouvir. A preocupação de julgar ou contradizê-las apressadamente, muitas vezes antes de ouvir tudo o que elas têm a dizer, pode bloquear a possibilidade de encontrar soluções novas para os problemas, e o apego a ideias prévias pode levar ao desrespeito, à estigmatização e à discriminação de quem pensa diferente. Assim, buscar conhecer e escutar o outro funciona como um antídoto para isso.

Isso não quer dizer que, ao final da conversa, o grupo não possa chegar a uma conclusão sobre seus objetivos comuns, o papel e o grau de envolvimento de cada um, o melhor a fazer diante do discutido etc. No entanto, isso certamente será mais rico e integrador se for antecedido por um diálogo genuíno.

repeitar-epreciso-crianca-guia-conversaCada um fala por si: Em grupos de pessoas que trabalham juntas com uma finalidade comum, como é o caso da escola, é bastante frequente que as pessoas falem de maneira generalizante, usando, por exemplo, expressões como “a gente”, “nós”, “a escola” ou “a sociedade”. Se, em alguns casos, esse uso pode se referir ao coletivo, pode também ser uma forma de não se incluir pessoalmente na fala. Não raro, se atribui “à sociedade” os problemas da escola, se fala na “escola” ou em “nós” para designar alguns sem nomeá-los claramente, se usa o termo “a gente” para indicar uma dificuldade pessoal sem se expor muito, e assim por diante. De outro modo, se cada um falar por si, será possível identificar melhor como cada um se situa em relação ao tema em questão, traçando uma ação coletiva com base nas diferenças que aparecerem.

4. Distribuir a fala

Distribuir a fala significa estimular os que falam pouco a se expressarem e conter aqueles que falam muito.

Assim, algumas estratégias que podem ajudar são: perguntar o que os outros pensam sobre o tema quando alguém estiver monologando, perguntar o que pensam aqueles que ainda não falaram nada, lembrar o tempo combinado para a fala de cada um e explicitar a dinâmica das relações. Por exemplo, se houver insistentes conversas paralelas ou pouca participação, pode ser sinal de que algumas pessoas não se sentem bem para falar no coletivo (por questões hierárquicas, ou de temperamento, ou de classe, ou por dissidências etc.). Nesse caso, se a tentativa de melhor distribuição de fala ou de fazer valer o tempo combinado para cada um falar na sua vez não funcionar, pode ser interessante dividir o grupo em subgrupos, propondo discussões a serem coletivizadas num segundo momento, que podem ser na forma de relatoria ou nos subgrupos se visitando uns aos outros. Com isso, em outra reunião, é possível que as pessoas se sintam mais à vontade ou dispostas para falar no coletivo maior. Aos poucos, à medida que a confiança for se estabelecendo no grupo, todos vão participar.

Tão importante quanto o que você fala é a maneira como você o faz.

5. Observar a dinâmica do grupo

O tempo todo é preciso ficar atento e observar como o grupo se organiza. Uns falam mais que outros? Estão acontecendo muitas conversas paralelas? Alguns parecem desinteressados? Todos parecem apáticos? Todos falam ao mesmo tempo? Há alguns que nunca falam? Alguém parece especialmente angustiado e realmente precisar falar mais? Como os demais acolhem essa necessidade?

Em algum momento, um desses movimentos vai acontecer. O grupo é vivo, e, por mais que vocês façam sólidos combinados, as coisas se desorganizam e se reorganizam o tempo todo, o que é desejável. Regras seguidas muito à risca, durante muito tempo, podem ser sinal de que algo vai mal, de que a espontaneidade foi inibida. É importante que o grupo esteja sempre em movimento. Nesse caso, firmar novos combinados é fundamental. Isso contribui para a formação do espírito coletivo.

Além disso, é preciso considerar que essa dinâmica está estritamente relacionada às relações de poder vigentes entre os sujeitos presentes. Por exemplo, num grupo misto, ao perceber que alguns funcionários administrativos falam pouco, de maneira muito sucinta e olhando para o diretor ou algum professor (provavelmente marcando uma relação de submissão a essas autoridades), pode-se estimular a fala lembrando que aquele encontro reúne pessoas com diferentes funções na escola: que alguns são educadores porque são professores, outros são funcionários administrativos (e também educadores), outros são educadores familiares; ressaltando que, independentemente de hierarquias, do lugar ocupado ou da formação de cada um, todas as falas são importantes, todas são necessárias e que a riqueza está justamente em poder contar com essa diversidade. Explicitar essa dinâmica pode ser uma fonte de aprendizado para todos.

6. Fazer uma escuta qualificada

Escutar é diferente de apenas ouvir, pois exige sensibilidade para as nuances do outro.
Ao escutar, procuramos entender o que o outro está querendo dizer com base no lugar de onde fala. Ou seja, com base: na cultura de que faz parte (que pode variar de acordo com a nacionalidade, a religião, a raça, o bairro, a cidade, o Estado em que mora ou de onde vem, o grupo social, a idade, a profissão que exerce etc.); na história pessoal (experiências que já teve na vida); no momento de vida; na situação de fala e no quanto está à vontade nela (situação de trabalho, de intimidade, familiar etc.); no humor do momento etc.

É muito comum que duas pessoas conversem em monólogos, sem uma efetiva troca. Cada um escutando muito mais a si mesmo do que ao outro. É o que acontece, por exemplo, quando alguém fala algo e, como interlocutor, já vai pensando na resposta (defesa ou ataque da pessoa ou da ideia que “imagina” que outro está defendendo) antes mesmo de o outro ter terminado seu raciocínio. Nesse caso, é comum que, quando existem perguntas, elas sejam espécies de armadilhas preparadas para uma “boa rebatida”, e não perguntas que buscam realmente conhecer o que o outro está procurando dizer.

Se estivermos conversando com o intuito de construir algo em comum, além de nos escutarmos mutuamente, precisamos qualificar essa escuta com perguntas que nos ajudem a sair de discursos generalizantes e nos façam pensar naquilo que estamos enfrentando concretamente. Numa conversa de escuta mútua, as perguntas indicam uma curiosidade pelo outro. Não uma curiosidade invasiva, mas uma curiosidade que visa entender o outro e suas ideias com base naquilo que ele está falando.

repeitar-epreciso-crianca-guia-conversa-pessoasPor exemplo, quando alguém diz que há muita violência na escola, pode-se fazer perguntas que ajudem essa pessoa e o grupo a explorar de que violência se está falando: quem presencia; quem vivencia essa violência; quem a pratica; contra quem; como a escola contribui para essa situação; como cada um, nos diferentes espaços da escola, contribui para que ela aconteça; como a escola já atuou em situações como essas; quais as experiências de cada um em situações semelhantes; o que deu certo; o que deu errado; o que cada um pode fazer para mudar isso; que estratégia coletiva será possível pensar para a transformação desse cenário.

Enfim, uma escuta qualificada envolve ações como: validar uma experiência; integrá-la numa história pessoal; recolocá-la no âmbito relacional, social e político; incluir a pessoa na própria fala (fazendo-a sair do discurso que coloca no outro a responsabilidade por tudo o que lhe acontece); transformar uma queixa num pedido ou numa ação (fazendo a pessoa sair de um lugar de passividade para outro mais ativo).

Resumir a fala de quem acaba de falar, verificar o entendimento e propor perguntas que ampliem seu olhar são formas de proporcionar uma escuta qualificada.

Um ritual de encerramento pode fortalecer o momento de conversa que acabou de acontecer e favorecer a coesão entre as pessoas que dela participaram, mesmo que a conversa tenha sido difícil. Simbolicamente, sintetizando o que foi e lançando uma perspectiva de construção conjunta contínua, esse ritual deixa claro que mais um passo foi dado em direção à Educação em Direitos Humanos e dá ânimo para continuar a caminhada.

8. Construir uma relação de confiança

Os cuidados mencionados aqui ajudam a construir um espaço de confiança para que os participantes se sintam confortáveis em expor seus pontos de vista de maneira aberta e sincera e possam se comprometer com a proposta de EDH. Contudo, eles valem muito pouco se forem feitos de maneira mecânica e burocrática. Por isso, é preciso sempre ter em mente qual o principal objetivo desses cuidados: criar espaço de confiança para que o trabalho coletivo aconteça.

Indicamos aqui alguns caminhos para responder a duas questões importantes: O que é necessário para que todos se sintam dispostos a contribuir com reflexões e ações ao tratar de um tema delicado como a Educação em Direitos Humanos na escola, que exige rever a maneira como estão trabalhando os valores e como estão sendo garantidos ou violados os Direitos Humanos daqueles que pertencem à comunidade escolar? O que é necessário para que as práticas educativas e as posturas de educador sejam colocadas em questão?

Ter confiança de que o próprio ponto de vista vai ser escutado e considerado por todos.

Ter confiança de que as questões e ações colocadas pelos participantes serão discutidas com respeito.

Ter confiança de que é possível dizer o que se pensa sem ser julgado, atacado, repreendido ou socialmente penalizado por isso.

Ter confiança de que o grupo não vai minar as conversas, transformando os temas conversados e as falas de cada um em “fofocas de corredor”.

Ter confiança de que as exposições pessoais não serão feitas à toa, de que todos ali estão realmente dispostos a rever formas de fazer e a pensar estratégias de Educação em Direitos Humanos.

Ter confiança de que é possível trazer os incômodos em relação ao Projeto, além dos receios e das dificuldades pessoais, sem que seja estigmatizado como resistente.

Ter confiança de que as ações de cada um serão criticadas com respeito.

Em cada escola, de acordo com a cultura local, essa lista tende a ser um pouco diferente, mas, grosso modo, aí estão as principais questões pelas quais importa tanto cuidar para que os espaços de conversa sejam espaços de confiança.

É interessante que se retome a discussão dessa questão em diferentes momentos, para que fique claro se essa relação de confiança está sendo construída e em que ela se baseia. E, no caso de haver problemas, para que estes sejam analisados e superados.


Bibliografia