3. O PLANO ENTRA EM AÇÃO
 
3. O PLANO ENTRA EM AÇÃO

Ainda que o Respeitar é Preciso! seja para toda a comunidade escolar, é possível que nem todos tenham podido tomar parte efetivamente do processo. Nesse momento, vale retomar com todos o plano de ação elaborado. Agora, é preciso fazer novamente uma apresentação para todos da comunidade, desta vez, destacando o plano de ação elaborado.

Sugerimos que essa apresentação do plano de ação seja feita, primeiro, ao Conselho de Escola (legitimando a instância de representação) e, depois, para toda a comunidade escolar (lembrando dos familiares), para a Diretoria Regional de Educação e outros parceiros da escola, convidando-os a aderirem e ajudarem a realizar as ações do plano. Isso merece uma comemoração, repetindo, por exemplo, a atividade “Café com Respeito”, que deu início aos trabalhos.

É fundamental tomar como referência a parte deste caderno que aborda as especificidades de cada segmento e os cadernos temáticos, que vão ajudar nessa nova fase da implementação do Projeto.

É possível manter todos sempre informados do andamento dos trabalhos (seja por meio do mural atualizado, do grupo do WhatsApp ou do boletim).

Texto de apoio
UM PROCESSO DE MUDANÇA NO COLETIVO

Como assim “processo de mudança”? Afinal, não se trata meramente de trabalhar com Educação em Direitos Humanos na escola? Será que, para isso, não seria suficiente reforçar para as crianças pequenas a importância de respeitar os amigos, lembrá-las de agradecer, pedir por favor ou desculpas? Garantir a participação dos familiares nas festas e nas comemorações do Centro de Educação Infantil (CEI) ou da escola, ou, no caso dos adolescentes, introduzir uma disciplina sobre ética no currículo escolar ou promover discussões temáticas nas diversas disciplinas?

Se você e sua comunidade escolar estão envolvidos no Projeto Respeitar é Preciso!, é muito provável que estejam movidos por um desejo de mudança na vida escolar. Talvez reduzir a violência, talvez reforçar princípios e valores que precisam ser esteio de toda ação educativa, talvez focar aspectos da convivência escolar, ampliar participação, enfim… Uma série de mudanças que implicam não apenas eventuais ajustes no currículo, mas principalmente mudanças de hábitos, de formas de fazer no dia a dia escolar, formas de se relacionar consigo, com o outro, com a comunidade escolar e com o mundo.

É provável ainda que a mudança seja vista e vivenciada de modo diferente e particular pelos participantes. Alguns incorporam as mudanças mais rapidamente, outros, mais lentamente. Assim, durante toda a implementação desse projeto, será essencial compreender uns aos outros, aceitar e lidar com essas diferenças, pensar coletivamente qual será o papel de cada um, quais serão as necessidades a serem atendidas para que seja possível trabalhar junto, como retomar a conversa para refazer combinados quando as coisas não derem certo ou quando alguém fizer algo diferente do combinado e repactuar etc.

Comunidade escolar: um coletivo criativo

Trata-se aqui de lidar com um coletivo: a comunidade escolar. Entretanto, em algumas escolas, ainda não se pode falar da existência de um coletivo, mas apenas de um agrupamento de pessoas diversas que convivem em um mesmo espaço com tarefas e funções relacionadas entre si.

Se esse for o caso na escola de vocês, transformar esse agrupamento em uma comunidade será uma das tarefas do Projeto.

Produzir um coletivo e criar um espaço de comunidade implica estar atento às diferenças de cada um, aceitá-las, incluí-las e lidar com elas, articulando-as em torno de um objetivo comum.

repeitar-e-preciso-coletivo-criativoDiferentemente de uma massa amorfa em que todos aparentemente concordam em tudo e caminham juntos, o que significa muitas vezes a presença de um mecanismo de opressão (mesmo que subliminar), ou mesmo de um conjunto de sujeitos que caminham cada um para uma direção apenas com a interdependência de algumas funções; trata-se de um complexo, uma miríade, que compõe uma figura, mantendo a diversidade interna, com potencialidades para caminhar em várias direções, sem decompor a figura, mas, sim, tornando-a complexa e cheia de contornos.

Um coletivo criativo e capaz de empreender um projeto comum será aquele que conseguir abrir espaço para as singularidades se manifestarem e atuarem, imprimindo um norte comum a todos. É importante que o Eu e o Nós estejam presentes.

Para que isso aconteça, todos precisam abrir disponibilidade para escutar as perguntas e os anseios dos demais. Se as respostas e até mesmo as eventuais críticas forem automaticamente tomadas como oposição ou sinal de resistência, má vontade etc., a tendência será perder oportunidades de compor um coletivo criativo e o resultado será uma baixa adesão ou uma adesão meramente formal (sem engajamento).

Em resumo, tanto para um primeiro momento de adesão quanto para a continuidade desse projeto, as tensões e os conflitos precisam aparecer, de forma que, por meio deles, se possa criar algo novo. A questão será abrir conversas em que essas tensões apareçam, num clima de respeito mútuo, sem destruir a possibilidade do coletivo.

 


Bibliografia