2. Do pensamento à ação
 
2. Do pensamento à ação

Uma vez definidas as prioridades, o desafio é planejar as ações para dar conta de concretizá-las. No entanto, isso não é tão imediato assim. Um plano de ação para a escola requer a tomada de decisões importantes.

Providenciar
– Lousa e giz ou folhas grandes de papel para registro
– Cópias do registro das prioridades eleitas para distribuir a todos do grupo
– Canetas coloridas
– O mapa dos sonhos
– Os quadros síntese dos campos de análise (mapeamento)
– Quadro do plano de ação em tamanho grande para ser exposto em local visível
– Fichas grandes para compor o quadro (ou papel recortado no tamanho necessário

Atividades
repeitarepreciso-atividades-discriminacao1. Pensar nas ações – Em subgrupos diferentes daqueles formados anteriormente, pensar em três ações que permitam contemplar cada uma das prioridades. Essas ações podem ser atividades dos educadores entre si, dos educadores com os alunos, com os familiares e com a comunidade do entorno.
Para ajudar na elaboração dessas ações, lembrar que elas precisam ser bem concretas e viáveis no contexto da escola, considerando algumas perguntas:

  • Como enfrentar a questão colocada em cada prioridade?
  • Que ação ou ações podem ser realizadas para atender a cada prioridade?
  • Quais obstáculos ou problemas vamos encontrar ao intervir nessa questão?
  • O que pode facilitar a nossa ação?
    O que já fazemos e poderemos articular a essas prioridades?
  • É possível pensar em ações específicas que impliquem as diferentes instâncias participativas da escola, como o Conselho, a APM e o Grêmio?
  • O PPP da escola já inclui algo sobre as decisões tomadas? Será necessário fazer mudanças? E no Regimento educacional?
  • Quem serão os responsáveis pelas ações?

repeitar-e-preciso-crianca-conhecimento-educacionalEm quanto tempo será possível realizar essas ações?
É necessário propor ações que sejam viáveis para que se possa viver a experiência de mudança. De nada vale um plano que não é passível de realização. Muitas vezes, pequenas mudanças podem ter grandes efeitos, principalmente quando são abraçadas por todos.

2. Definição das ações – Em plenária, com base no que cada grupo propôs, eleger as ações consideradas mais viáveis, mais interessantes e que permitam provocar as mudanças desejadas, indicando-as como de curto, médio ou longo prazo. Essas ações devem ser registradas e copiadas para que todos as tenham em mãos e também em fichas, com as palavras-chave, para ajudar a elaborar o quadro do plano de ação, apresentado a seguir. Para isso, é importante:

  • Que haja ações a serem realizadas por pessoas dos diferentes grupos (gestores, profissionais de apoio, familiares) e que essas ações atinjam a todos os integrantes da comunidade escolar.
  • Caso os alunos ainda não estejam participando do Projeto, deverão necessariamente ser incluídos e atuar como protagonistas no maior número possível de ações do plano.
  • Atentar para a viabilidade, de modo que, no curto prazo, já se consiga realizar ações com êxito.
  • Considerar uma variedade de atores responsáveis (alunos, educadores das diferentes funções, familiares), de forma que a responsabilidade pela execução do plano seja distribuída e não sobrecarregue ninguém.

repeitar-e-preciso-crianca-conhecimento-educadoresO modelo a seguir indica o que precisa ser considerado para elaborar o plano de ação.

Plano de ação

repeitar-e-preciso-crianca-conhecimento-projeto

Uma sugestão é fixar no quadro as fichas com as ações de cada campo, de modo que possam ser substituídas quando se ponderar que algo deve mudar e, assim, ajudarão o grupo a ir tomando as decisões.

Finalização

Definir a sistemática de trabalho dos responsáveis pelas ações, planejar os encaminhamentos, o cronograma de trabalho e a forma de divulgação das discussões.

Elaboração da vivência

Pedir para alguns dos participantes dizerem, com uma única palavra, o que levam desse encontro. Como dizia Paulo Freire: “Mudar é difícil, mas é possível”.

3. O plano entra em ação

Ainda que o Respeitar é Preciso! seja para toda a comunidade escolar, é possível que nem todos tenham podido tomar parte efetivamente do processo. Nesse momento, vale retomar com todos o plano de ação elaborado. Agora, é preciso fazer novamente uma apresentação para todos da comunidade, desta vez, destacando o plano de ação elaborado.

Sugerimos que essa apresentação do plano de ação seja feita, primeiro, ao Conselho de Escola (legitimando a instância de representação) e, depois, para toda a comunidade escolar (lembrando dos familiares), para a Diretoria Regional de Educação e outros parceiros da escola, convidando-os a aderirem e ajudarem a realizar as ações do plano. Isso merece uma comemoração, repetindo, por exemplo, a atividade “Café com Respeito”, que deu início aos trabalhos.

É fundamental tomar como referência a parte deste caderno que aborda as especificidades de cada segmento e os cadernos temáticos, que vão ajudar nessa nova fase da implementação do Projeto.

 

Texto de apoio
UM PROCESSO DE MUDANÇA NO COLETIVO

Como assim “processo de mudança”? Afinal, não se trata meramente de trabalhar com Educação em Direitos Humanos na escola? Será que, para isso, não seria suficiente reforçar para as crianças pequenas a importância de respeitar os amigos, lembrá-las de agradecer, pedir por favor ou desculpas? Garantir a participação dos familiares nas festas e nas comemorações do Centro de Educação Infantil (CEI) ou da escola, ou, no caso dos adolescentes, introduzir uma disciplina sobre ética no currículo escolar ou promover discussões temáticas nas diversas disciplinas?

Se você e sua comunidade escolar estão envolvidos no Projeto Respeitar é Preciso!, é muito provável que estejam movidos por um desejo de mudança na vida escolar. Talvez reduzir a violência, talvez reforçar princípios e valores que precisam ser esteio de toda ação educativa, talvez focar aspectos da convivência escolar, ampliar participação, enfim… Uma série de mudanças que implicam não apenas eventuais ajustes no currículo, mas principalmente mudanças de hábitos, de formas de fazer no dia a dia escolar, formas de se relacionar consigo, com o outro, com a comunidade escolar e com o mundo.

É provável ainda que a mudança seja vista e vivenciada de modo diferente e particular pelos participantes. Alguns incorporam as mudanças mais rapidamente, outros, mais lentamente. Assim, durante toda a implementação desse projeto, será essencial compreender uns aos outros, aceitar e lidar com essas diferenças, pensar coletivamente qual será o papel de cada um, quais serão as necessidades a serem atendidas para que seja possível trabalhar junto, como retomar a conversa para refazer combinados quando as coisas não derem certo ou quando alguém fizer algo diferente do combinado e repactuar etc.

Comunidade escolar: um coletivo criativo

Trata-se aqui de lidar com um coletivo: a comunidade escolar. Entretanto, em algumas escolas, ainda não se pode falar da existência de um coletivo, mas apenas de um agrupamento de pessoas diversas que convivem em um mesmo espaço com tarefas e funções relacionadas entre si.
Se esse for o caso na escola de vocês, transformar esse agrupamento em uma comunidade será uma das tarefas do Projeto.
Produzir um coletivo e criar um espaço de comunidade implica estar atento às diferenças de cada um, aceitá-las, incluí-las e lidar com elas, articulando-as em torno de um objetivo comum.

repeitar-e-preciso-coletivo-criativoDiferentemente de uma massa amorfa em que todos aparentemente concordam em tudo e caminham juntos, o que significa muitas vezes a presença de um mecanismo de opressão (mesmo que subliminar), ou mesmo de um conjunto de sujeitos que caminham cada um para uma direção apenas com a interdependência de algumas funções; trata-se de um complexo, uma miríade, que compõe uma figura, mantendo a diversidade interna, com potencialidades para caminhar em várias direções, sem decompor a figura, mas, sim, tornando-a complexa e cheia de contornos.

Um coletivo criativo e capaz de empreender um projeto comum será aquele que conseguir abrir espaço para as singularidades se manifestarem e atuarem, imprimindo um norte comum a todos. É importante que o Eu e o Nós estejam presentes.

Para que isso aconteça, todos precisam abrir disponibilidade para escutar as perguntas e os anseios dos demais. Se as respostas e até mesmo as eventuais críticas forem automaticamente tomadas como oposição ou sinal de resistência, má vontade etc., a tendência será perder oportunidades de compor um coletivo criativo e o resultado será uma baixa adesão ou uma adesão meramente formal (sem engajamento).

Em resumo, tanto para um primeiro momento de adesão quanto para a continuidade desse projeto, as tensões e os conflitos precisam aparecer, de forma que, por meio deles, se possa criar algo novo. A questão será abrir conversas em que essas tensões apareçam, num clima de respeito mútuo, sem destruir a possibilidade do coletivo.

 


Bibliografia