3. HUMILHAÇÃO E AÇÕES EDUCATIVAS
Palavra de origem inglesa, o bullying chega ao Brasil e traz uma concepção à qual devemos estar atentos. O Projeto Respeitar é Preciso! adota o termo “humilhação” para se referir a esse fenômeno e apresenta uma abordagem mais construtiva.
3. HUMILHAÇÃO E AÇÕES EDUCATIVAS

Na escola, as humilhações ocorrem nos diversos níveis de relação, refletindo uma afirmação de poder sobre o outro, tendo como agentes tanto alunos quanto professores, funcionários, gestores e outros elementos da comunidade, seja como protagonistas, seja como vítimas.

As manifestações práticas da humilhação em uma instituição escolar são muito variadas, revelando-se, muitas vezes, no poder de julgamento dos adultos ao conferir notas ou no tratamento pejorativo, em agressões verbais e na exposição do aluno ao ridículo pelos colegas.

respeitarepreciso-ilustracao1No caso da Educação Infantil, e mesmo de todo o Ensino Fundamental, a grande dependência da criança em relação aos cuidados do adulto a coloca numa situação vulnerável, pois está iniciando sua vida em grupo e ainda não tem condições de argumentar e se defender, ou estes recursos estão ainda em construção. Por isso, os professores, bem como todos os adultos educadores que atuam em CEIs, EMEIs e EMEFs, devem considerar a importância de suas atitudes de cuidado, intervenção em conflitos e a organização dos ambientes de convivência das crianças. Quando a criança é atendida, ouvida e acolhida, ela acaba tendo apreço pelo outro e confiando nele (a criança como digna de valor, não como objeto).

De modo geral, tudo o que se faz e o que se diz em uma escola, se presta como ação educativa na transmissão de valores, o que justifica e responsabiliza a escola como espaço de formação de pessoas, bem como de consolidação de um coletivo moldado pelo respeito mútuo.

Atualmente, diversos tipos de agressão e violência que têm como fio condutor a humilhação ganham visibilidade (inclusive na mídia) e ocupam um lugar significativo nas pautas de discussão e nas preocupações sobre o convívio escolar. Isso aponta a urgência de uma atuação constante, que não se limite à pura e simples coibição e punição desse tipo de atitude (o que já se mostrou ineficaz), mas instaure na escola, gradativamente, uma nova cultura permeada pelo respeito.

respeitarepreciso-ilustracao2A proposição de formas respeitosas de convívio devem escapar, obviamente, a uma cartilha de boas maneiras, procurando fundamentação ética que permeie as relações entre os diversos setores que compõem o corpo escolar (educadores, adultos responsáveis, alunos) e entre todos os indivíduos. Assim, propiciar um ambiente saudável, para além de uma proposição generalista da prática de bons tratos, significa incorporar em todos os âmbitos um olhar atento para a ocorrência de situações de humilhação e nele intervir.

O risco das orientações superficiais, como exigir que as crianças peçam desculpas automaticamente depois de algum conflito, pode cristalizar práticas estereotipadas se o cuidado e o respeito para com o outro não forem valores realmente vivenciados e observados por elas no cotidiano. Desculpas e agradecimentos podem se tornar expressões verbais, vazias de sentido, utilizadas apenas formalmente.

Se o exercício da violência moral ocorre de forma reiterada e com razoável frequência nas instituições escolares, é importante evitar uma interpretação simplista, atribuindo essa prática a um ou dois alunos “vilões” e sair em sua busca pelos corredores da escola. Mais produtivo, é olhar para a complexidade da situação e para os valores que são transmitidos pela escola e reproduzidos pelos alunos, expostos em muitos contextos: nas escolhas curriculares e na forma de apresentá-las; nos instrumentos de avaliação; na maneira como os adultos se dirigem aos alunos; nos cuidados que demandam, tanto do ponto de vista da aprendizagem, quanto ao que se refere às relações interpessoais.

É preciso refletir sobre as práticas educativas, fazendo uma análise do que acontece e que pode desviar ou mesmo ir contra o objetivo de criar condições para que os alunos se desenvolvam com autoconfiança e autonomia.

Situações de humilhação entre os alunos

Atualmente, no meio educacional e nas mídias, a prática do bullying (humilhação) tem sido muito comentada e analisada como demonstração de hostilidade moral e/ou física entre alunos. O bullying se refere a atitudes repetidas de opressão, agressão e dominação de pessoas ou grupos sobre outras pessoas ou grupos, por meio de posturas “valentes”, ameaças e atribuição de apelidos pejorativos, que amedrontam e trazem sofrimento, assim como ignorar e rejeitar colegas, ameaçar, furtar, ofender, discriminar e intimidar, tudo o que define uma situação de humilhação.

Muitas vezes, essas discussões seguem um caminho perigoso, que é identificar os que “fazem” e os que “recebem” bullying, criminalizando uns e vitimizando outros, como se essas atitudes agressivas e tão nocivas acontecessem por única responsabilidade dos envolvidos: sempre os alunos. O que vemos hoje é essa questão sendo tratada em âmbitos jurídicos, por meio da atuação de advogados “especialistas em bullying”, relegando a segundo plano o âmbito educacional desse fenômeno, bem como o espaço de resolução adequado e eficiente (que é a escola) e os agentes responsáveis (que são os educadores).

Nessa perspectiva, a atuação da escola frequentemente se limita a definir punições, que vão desde advertências até a expulsão de alunos, muitas vezes sem considerar o contexto em que as situações de humilhação ocorreram e que, no espaço educativo, é preciso compreender, intervir, se responsabilizar por violências desse tipo e educar para combater o que de fato ocorre.

É possível observar um número grande de crianças e adolescentes com dificuldade para reagir a essas situações agressivas, mostrando-se intimidados, o que acaba acarretando contínuas transferências de escola (pois, muitas vezes, não conseguem suportar a pressão). Isso é tão equivocado quanto considerar que a humilhação pode ser evitada com algumas ações específicas e localizadas, como se evita determinada praga de jardim. Não se trata disso, e, sim, de considerar a complexidade destas situações e trazer à tona a prática do respeito mútuo, fazendo com que todas as relações entre os sujeitos da escola a considerem condição de convívio.

Mesmo sendo uma situação entre alunos, portanto, em princípio entre iguais, existe uma relação explícita de poder abusivo num contexto de humilhação: quem humilha sempre exerce uma força sobre o outro que, por algum motivo, se sente atingido, constrangido e não pode se defender, assumindo, assim, o lugar do fraco. Esse lugar se consolida, ainda que se saiba que quem precisa humilhar também carrega um alto grau de fragilidade. Portanto, todos precisam de cuidado. Buscar compreender e acolher o que agride pode ser um caminho para proteger o que é agredido.

O Projeto Respeitar é Preciso! considera que esses comportamentos agressivos entre os alunos configuram violência, devendo levar os educadores a pensar no contexto em que esses comportamentos ocorrem, olhar quem são os envolvidos e as características pessoais dos que agridem e dos agredidos, compreender o que está motivando esses comportamentos, identificar seu papel como educador e responsável e, principalmente, pensar sobre as possibilidades de intervenção no ambiente escolar.

Os educadores e os alunos

A reflexão sobre humilhação também implica pensar o lugar da autoridade e das relações de poder que são evidentes, mas nem sempre explícitas na escola. A prática da avaliação é um exemplo. Recurso importante para regular as aprendizagens, a avaliação também pode determinar algumas situações de humilhação que impedem o desenvolvimento desejável dos alunos.

Muitas vezes, as notas alcançadas nas provas, nos trabalhos e em outras situações de avaliação são vistas pelos alunos (e também pelo professor) como um “retrato” da posição do aluno dentro e fora da classe e, principalmente, em relação aos colegas, atribuindo rapidamente uma imagem, que pode ser de “bom” ou “mau” aluno. Uma nota baixa, uma atitude inadequada, um período prolongado de ausência nas aulas podem ser o bastante para determinar o perfil de um aluno, ou até mesmo o fracasso do seu processo de escolaridade. O aluno que “vai mal” é estigmatizado como incapaz, incompetente, “burro” e, portanto, fracassado, o que o leva a se sentir assim.

Por essência, a avaliação potencializa uma visão comparativa que pode colocar o malsucedido em situação de constrangimento, levando-o a ser ironizado pelos colegas e, não raro, consolidando uma imagem assim também pelos professores e demais adultos.

Antes de mais nada, a avaliação deve ser um instrumento de análise e reflexão tanto para professores quanto para alunos, potencializando um processo de autorregulação que vai lhes mostrar aquilo que já sabem e o que ainda é preciso aprender. Assim, os únicos indicadores apontados por suas notas são a competência para lidar com os conteúdos e o desempenho em sala de aula. No entanto, não são raras as situações em que a nota de um aluno é o reflexo da imagem que o professor atribui a ele e, mesmo sem ter consciência disso, aprisiona o aluno num lugar consolidado de incapacidade que justifica não apoiá-lo; afinal, ele “é assim mesmo”. Ainda que o aluno demonstre grande dificuldade para se apropriar dos conteúdos e organizar sua vida escolar, sempre existe alguma intervenção que pode ser feita pelo professor no sentido de ressaltar suas potencialidades e para ajudá-lo a avançar.

Em geral, a dificuldade desses alunos é ocasionada por alguma situação que estão enfrentando, como, por exemplo, uma questão emocional. Embora tudo isso possa explicar algo, não deve afastar o professor do seu compromisso educativo com esses alunos e não justifica os fracassos deles. Esses são justamente os alunos que precisam ser considerados com mais cuidado e mais atenção.

O fato de os alunos estarem na escola para aprender acaba, de alguma forma, “autorizando” os professores e os adultos a se dirigirem a eles com o poder de um superior que acaba, muitas vezes, por humilhá-los “com a intenção de educar”. Como ilustração, pode se pensar numa situação em que, no intuito de chamar a atenção do aluno para o pouco comprometimento que vem demonstrando nos estudos, nas tarefas, e na participação durante as aulas ou diante de mais uma atividade não realizada, o professor diz: “Eu tinha certeza de que você não faria”, “Pra variar, não fez a lição de casa”, ou apenas “Que novidade!”.

respeitarepreciso-ilustracao3Essas e outras situações, que podem ser uma expressão sutil ou um olhar, além de expor o aluno diante de seus colegas, podem vir a cristalizar uma condição que, na grande maioria das vezes, poderia ser transformada.

É importante ter a clareza de que nenhum tipo de humilhação tem potencial educativo. Antes, pelo contrário: a humilhação dirigida a um aluno, vinda de um professor (que cumpre também um papel de modelo), pode, com muita facilidade, fragilizar a autoestima desse aluno e autorizar outros alunos a agir da mesma forma.

Na Educação Infantil, etapa da vida escolar em que as crianças estão mais fragilizadas diante do adulto, as situações de humilhação merecem uma reflexão ainda mais cuidadosa. A demonstração, mesmo não intencional, de irritação porque a criança derruba a comida no chão ou faz xixi na calça é um dos exemplos de como se comunica que elas são incapazes. Outras situações de humilhação são geradas por uma longa espera entre uma atividade e outra, além da exigência de que as crianças fiquem “quietinhas”, desconsiderando a predominância do movimento e da expressividade na primeira infância. Infelizmente, ainda são comuns situações de pouca atenção, ou mesmo de desrespeito, aos desejos e às necessidades individuais das crianças, obrigando-as a fazer a mesma coisa, do mesmo jeito, ao mesmo tempo. Quem não se lembra de pelo menos um caso de crianças que fizeram xixi na calça porque a professora não deixou ir ao banheiro?

Felizmente, hoje principalmente os CEIs e as EMEIs avançaram muito na escuta da criança e na transformação de práticas tradicionalmente autoritárias em situações nas quais as crianças são consideradas e respeitadas como sujeitos. De fato, o professor e outros adultos da instituição escolar são autoridades e devem se manter nesse lugar. O mais importante é parar para refletir como essa autoridade, esse poder e essa influência repercutem em seus alunos e em sua vida.

As práticas educativas expressam uma concepção do que é educar e de como educar, e a escola carrega a cultura do autoritarismo (o que é diferente de autoridade), em que a punição, a repreensão e a reprovação são os recursos utilizados com maior frequência para ensinar. Mesmo que pensem de forma diferente, essas crenças estão muito impregnadas nas práticas dos educadores e influenciam suas atitudes. Assim, é importante considerar que a sua atuação é movida muito mais pelas crenças construídas no decorrer de anos, do que pelo que ele discute nas ações de formação e adota racionalmente. Portanto, é de grande relevância a reflexão sobre quais são as atuais “palmatórias” utilizadas sem essa consciência.

Cuidados e limites

Atualmente, é comum o discurso de que a relação entre professores e alunos é permeada pela falta de limites e de que os alunos não obedecem nem respeitam os professores. No entanto, isso não pode pairar sobre a escola como uma nuvem escura que não tem como ser dispersada. É hora de pensar o que está acontecendo e dissipar a barreira entre educadores e alunos. E essa atitude tem que partir da escola. Vale lembrar que o papel do educador é reafirmado e respeitado pelos alunos por meio do reconhecimento da legitimidade do adulto que educa, acolhe e que utiliza sua autoridade como modelo e para o acolhimento.

Hoje, as crianças e os adolescentes podem contar com um importante dispositivo de proteção e justiça, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que lhes confere direitos e atribui a eles o papel de cidadãos em formação, garantindo o desenvolvimento de suas potencialidades e conferindo a eles responsabilidades que são capazes de assumir nessa etapa da vida. Contudo, essas garantias não são afirmadas para tirar a autoridade dos educadores, nem para afastar dos adultos a responsabilidade de intervir de forma educativa na vida de crianças e adolescentes. Antes, pelo contrário, são parâmetros que os cercam de segurança e apontam aos adultos as possibilidades de atuação, considerando as características inerentes ao processo de desenvolvimento que estão vivendo em cada etapa da vida.

Assim, não é só necessário, mas possível, educar protegendo. O cuidado faz parte da prática educativa, não só das crianças da Educação Infantil, mas de todas que estão sob responsabilidade dos adultos ao longo da Educação Básica, quando são tão necessários a proteção e o cuidado do aluno no ambiente escolar. Quando isso não acontece, além de favorecer a baixa autoestima em alguns, já mais fragilizados, pode colocá-los frequentemente na posição de vítimas de violência e humilhação.

Desse modo, libertar a escola da humilhação constante é instaurar, gradativamente, um processo de transformação, desde a sala de aula. A ideia ou a certeza de que o “professor determina” e o “aluno obedece” precisa ser desenraizada das práticas educativas. A escola regida pelo modelo tradicional, com a administração da classe centralizada nas mãos do professor, tendo os alunos em posição simplesmente de obediência, perdeu-se no tempo. Nem por isso a hierarquia e a autoridade devem ficar menos visíveis, mas, sim, ser vistas como condição para o acolhimento dos alunos e para uma relação mais prazerosa para todos. Os educadores também precisam de segurança para trabalhar e cabe a eles driblar situações constrangedoras e desagradáveis para todos.

Entretanto, essas transformações implicam novas definições de disciplina, que serão construídas como base em práticas como: lidar com a fala e o turno da palavra de modo que todos possam se manifestar e sejam ouvidos; intervir em sala propondo conversas que levem os alunos a refletir a respeito dos conflitos ocorridos; discernir a irreverência comum principalmente nos adolescentes de uma afronta à autoridade, assim como a mera rebeldia da justa manifestação. Cada julgamento desses vai trazer respostas e encaminhamentos diferentes.

Assim, a “indisciplina” não é apenas desordem, mas também pode expressar um movimento inerente ao processo de construção de conhecimento e desenvolvimento, que, por si só, provoca falas, movimento, oposição, inquietação e busca de respostas. Se, num primeiro momento, pode causar certo desconforto aos professores, também pode afirmar sua autoridade quando trata da situação com ponderação e acolhimento. São atitudes de quem está se desenvolvendo, e a possível “agressão” ou falta de respeito não se dirige à pessoa do professor, mas ao lugar de autoridade que o adulto ocupa na situação, o que costuma desafiar os alunos, sobretudo na fase da adolescência.

A humilhação no meio dos adultos

Tão nociva e prejudicial para a construção de um ambiente permeado pelo respeito é a humilhação, que também pode estar presente na escola, dirigida de um adulto para outro. Nenhuma atitude, erro, postura inadequada, posição, cargo ou falha de um adulto que faz parte da rede de relações da escola justifica uma resposta humilhante, ainda que no contexto de uma estrutura hierárquica. Nenhum nível de hierarquia pressupõe tratamento desigual para um ou para outro sujeito. Nenhuma hierarquia significa ausência de responsabilidade. Todos são importantes e desenvolvem um trabalho profissional indispensável para a vida escolar e, portanto, para a educação dos alunos.

A instituição escolar é formada por uma rede que tem como base o grupo de adultos, todos eles educadores, responsáveis por sua sustentação funcional, educacional, pedagógica e ética. A complexa dinâmica de funcionamento da escola depende de uma engrenagem alimentada por todos os setores, dependentes uns dos outros. Conhecer o valor e o papel de cada um deles, trabalhando de forma cooperativa, é condição para oferecer aos alunos a educação de qualidade da qual são dignos. Também nesse caso, a hierarquia de cargos e funções deve estar a serviço da construção de um espaço democrático, que tenha suas decisões tomadas de forma transparente, evitando entraves burocráticos sempre que possível.

respeitarepreciso-ilustracao5A ausência de professor ou diretor é tão prejudicial ao funcionamento da escola quanto a de um porteiro ou responsável pela coleta de lixo. Os alunos, por sua vez, tratam os funcionários da escola com base no modelo adulto que é oferecido a eles, lançando mão de formas respeitosas de tratamento, como chamar as pessoas pelo nome, cumprimentando a todos com os quais se depararem e reconhecendo o trabalho de cada um deles. Referir-se a alguém como “tia da limpeza” ou “tio do portão” é uma desconsideração e não representa os princípios e os valores defendidos pelo Projeto Respeitar é Preciso!

Essa mesma situação pode ser observada em relação aos familiares e responsáveis pelos alunos, que também devem ser chamados pelo nome, evitando os famigerados “mãe” e “pai”, que os deixam sem identidade própria. Outra questão importante a ser considerada é o julgamento que se faz, muitas vezes, de um pai, uma mãe ou responsável com base no comportamento de seu filho. Um filho que enfrenta na escola questões relacionadas à disciplina ou à aprendizagem não implica, de forma alguma, uma mãe ou um pai ausente, assim como uma criança que tem dificuldades para aprender a ler não é necessariamente filha de uma “família ignorante”. Da mesma forma, o fato de um pai ser reconhecido na comunidade como alcoólatra não autoriza julgamentos negativos em relação à criança. Na verdade, esses são os alunos e as famílias que mais necessitam de cuidado, apoio e interlocução por parte dos educadores que formam o corpo da escola.

Considerando os objetivos do Projeto Respeitar é Preciso! (fazer presente e de forma permanente a ideia do respeito mútuo e da soberania da dignidade humana como mediadoras das relações no ambiente escolar), torna-se evidente, e até mesmo indiscutível, a necessidade de colocar a questão da humilhação na “ordem do dia”, não só promovendo conversas e debates, mas fazendo o uso educativo de todas as situações que possam surgir na rotina da escola, e até fora dela, trazendo-as à luz e abrindo espaço para que todos possam se colocar, opinar e compartilhar dúvidas. Nesses momentos, não se pode deixar de abordar os diversos tipos de humilhação: tanto aqueles que se manifestam de forma clara no dia a dia da escola (ofensas, agressões, constrangimentos) quanto a humilhação proveniente de contextos de injustiça social. Não se trata apenas de punir a humilhação, mas ir além, construindo no ambiente escolar uma cultura sensível e de indignação diante da humilhação de seus pares.

4. INTERVENÇÕES NO COTIDIANO