1. Uma proposta para toda a escola
 
1. Uma proposta para toda a escola

A educação é um processo longo e complexo, que não se limita ao espaço da sala de aula, nem tampouco à relação entre os professores e os alunos. Podemos dizer que todo e qualquer sujeito envolvido na rotina escolar está comprometido com o fazer educativo e compõe com os demais uma grande rede de relações, sem a qual a ação educativa não acontece.

Dentro da escola, as ações educativas não se restringem àquelas desencadeadas pelos professores, orientadores e diretores. Todos os adultos, ao se relacionar com os alunos, exercem influência educativa pelo modo como exercem seu trabalho, pela forma como se relacionam entre si e com os alunos, pelos valores com que orientam suas práticas e suas atitudes.

Os porteiros da escola, por exemplo, demonstrarão respeito quando, ao viabilizar o acesso à escola, acolherem a todos cumprimentando, buscando resolver dificuldades, sendo solícitos, responsáveis, sem discriminar quem quer que seja, independentemente de suas condições, aparência, origem etc. E também atuarão com justiça ao não oferecer privilégios a determinadas pessoas, abrindo exceções ou colocando impedimentos para alguns.

Os profissionais encarregados da limpeza e da organização do espaço escolar, assim como as pessoas que se encarregam da sua manutenção (jardineiros, eletricistas, pedreiros, entre outros), também estarão oferecendo aos alunos um modelo de atuação respeitosa à medida que se derem conta de que, por meio de seu trabalho, oferecem um ambiente limpo, organizado e agradável para que todos possam trabalhar e estudar em condições propícias.

Não menos importantes são os profissionais responsáveis pela alimentação dos alunos. Nesse setor da escola, podemos encontrar uma série de ações que contribuem com a educação, oferecendo a todos uma alimentação saudável, respeitando o gosto e a cultura de cada um, cuidando para a manutenção de um ambiente em que seja possível se alimentar de maneira tranquila.

Profissionais das escolas da rede municipal de Ensino de são Paulo
Agente de apoio, auxiliar técnico de educação (ATE), professor de Educação Infantil, professor de Educação Infantil e Ensino Fundamental I, professor de Ensino Fundamental II e Ensino Médio, professor orientador de sala de leitura (POSL), professor orientador de informática educativa (POIE), coordenador pedagógico, diretor de escola, assistente de diretor de escola e supervisor escolar.

O “lugar social” que esses profissionais ocupam na escola, a forma como são tratados pelos demais adultos, o valor atribuído ao seu trabalho, o atendimento de suas necessidades, o costume e as práticas cotidianas que definem sua participação na comunidade escolar dizem algo aos alunos sobre o relacionamento entre as pessoas, sobre igualdade e desigualdade, sobre respeito e reconhecimento da dignidade humana. E, em algum momento, todos eles precisam tomar atitudes em relação aos alunos, atuar em situações que os envolvem, orientá-los etc. Portanto, essa influência educativa sempre acontece, quer se tenha ou não intencionalidade e consciência dela. Portanto, ao propor que a escola seja tomada como espaço da educação em DH, é essencial que esses educadores sejam incluídos na reflexão coletiva sobre como fazer isso, que saiam da invisibilidade ou mesmo da “coisificação” em que às vezes permanecem, como no caso em que não são sequer chamados pelo nome (“tia da limpeza”, “moço da portaria”…). É essencial que a dimensão educativa de sua participação seja reconhecida e que eles também sejam respeitados.

Construir e manter na escola um ambiente em que as relações são baseadas na justiça e na igualdade é uma tarefa que pressupõe o compromisso de cada um e de todos com a prática do respeito mútuo.

Todos os adultos da escola são educadores, responsáveis, igualmente importantes e precisam estar juntos nessa jornada. Portanto, a implementação do Projeto Respeitar é Preciso! tem de considerar os diversos lugares que esses adultos ocupam na instituição escolar, as relações que se estabelecem com base nesses lugares e o papel educativo de cada um deles.

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Para que isso aconteça, é muito importante assegurar espaços coletivos de troca entre os educadores para que eles reflitam e analisem suas práticas, identificando obstáculos, reconhecendo potencialidades e encontrando formas de garantir a participação de todos os integrantes da comunidade escolar (além dos educadores, os alunos, seus familiares, seus responsáveis, os parceiros da escola etc.).

Esse é um projeto de toda a escola, a ser desenvolvido pelo coletivo. Mesmo quem não puder participar diretamente das atividades destinadas aos adultos educadores pode ser envolvido de alguma forma, por meio de representação e de instrumentos de comunicação (mural, boletins informativos, reuniões, entre outros) que permitam receber e dar contribuições para o processo.

11Assim, todos crescem com o Projeto e dele se apropriam, e, mesmo que haja algumas mudanças na equipe, sempre haverá alguém em condições de assumir a organização das atividades e dar continuidade sem grandes rupturas.

A proposta é que as atividades do projeto sejam iniciadas com os adultos que trabalham na escola e de modo que eles se preparem para o momento da inclusão dos alunos e familiares, a ser definido no processo e de acordo com o histórico e a realidade de cada local. Se já existe um grêmio estudantil, conselhos de escola e
associações de pais e mestres (APMs) atuantes na escola, é importante que a integração destes seja simultânea às atividades propostas para os profissionais da escola.

 


Bibliografia